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Bispo Rolando Álvarez com o arcebispo de Sevilha, em Sevilha. Foto do X

Desterrado da Nicarágua

Bispo “traidor à pátria” Rolando Álvarez aparece em Espanha

| 12/06/2024

Bispo Rolando Álvarez com o arcebispo de Sevilha, em Sevilha. Foto do X

O bispo Rolando Álvarez com o arcebispo de Sevilha, José Ángel Saiz Meneses, durante a visita àquela diocese. Foto reproduzida a partir da conta de X de José Ángel Saiz Meneses

Fotos do bispo nicaraguense Rolando Álvarez, desterrado no início deste ano para Roma, foram divulgadas na última semana pelo arcebispo de Sevilha, dias depois de aquele prelado latinoamericano ter estado nesta diocese em visita “de cortesia e de descanso”.

Não foram reveladas datas da estadia, tendo sido a primeira vez, desde janeiro, que surgiram sinais deste membro do episcopado da Nicarágua. Soube-se apenas que Álvarez visitou o palácio arquiepiscopal, o seminário e a catedral de Sevilha, assim como a casa sacerdotal da cidade.

O bispo Rolando Álvarez recebeu também o Premio Libertas 2024, que lhe foi atribuído em reconhecimento pelo seu compromisso com a defesa e liberdade do povo da Nicarágua. O prémio foi-lhe entregue pelo arcebispo de Oviedo, Jesus Sanz, o qual, por sua vez, o havia recebido em nome do galardoado, em finais de maio passado, da parte da entidade que o outorgou, a Sociedad Civil Oviedo 21, no Principado de Astúrias.

Entretanto, a situação de profunda crise em que se encontram as relações diplomáticas entre o Vaticano e as autoridades da Nicarágua não deu sinais visíveis de alteração, enquanto a repressão continua a fazer-se sentir sobre qualquer movimento ou iniciativa divergente da linha oficial.

Recorde-se que a expulsão de Álvarez para Roma pelos serviços da ditadura de Daniel Ortega se deu em 13 de janeiro último [ver 7MARGENS], tendo viajado com o bispo um outro colega do episcopado, o bispo Isidoro Mora, preso umas semanas antes, 15 presbíteros e dois seminaristas, que se encontravam igualmente detidos.

O desterro destes clérigos nicaraguenses verificou-se duas semanas depois de o Papa Francisco, no primeiro Angelus deste ano, ter-se mostrado preocupado com os membros do clero na Nicarágua, e ter pedido que “se procure sempre o caminho do diálogo”.

A situação de repressão e cerceamento das liberdades naquele país continua a suscitar as maiores preocupações. Segundo um relatório do Colectivo de Derechos Humanos Nicaragua Nunca Más, publicado já este ano, só entre janeiro de 2023 e março de 2024, foram 317 os nicaraguenses dados como “desnacionalizados” e declarados “traidores à pátria”, incluindo 22 religiosos católicos. Mas o documento apresentado traça um quadro amplo dos ataques à liberdade religiosa, não apenas no espaço católico.

O bispo Álvarez, por exemplo, encontrava-se, em julho de 2022, em situação de prisão domiciliária, quando o regime de Daniel Ortega o quis incluir num lote de 222 presos políticos recambiados para os Estados Unidos da América. Perante a recusa determinada do prelado, o sistema judicial do país pronunciou, um dia depois, uma sentença condenatória contra ele de 26 anos e quatro meses de prisão.

São escassas as informações conhecidas sobre atividades de Rolando Álvarez, desde que chegou à Europa. Mas não deixa de ser significativo que ele continue a ser oficialmente bispo titular da diocese nicaraguense de Matagalpa e administrador apostólico da de Estelí.

 

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