Em antecipação ao Dia da Europa deste ano, que se evoca a 9 de maio, a Conferência Episcopal Alemã acaba de publicar uma declaração em que apela a uma Europa unida, como um projeto de paz e democracia assente em valores, fundada no respeito pelo direito internacional e na cooperação multilateral.
Na declaração, intitulada “Europa, mostra a tua autoconfiança!”, os bispos dirigem-se principalmente aos líderes políticos da UE e dos seus Estados-Membros, bem como ao Conselho da Europa. Defendem que a Europa aja de forma pautada por valores, tanto interna como externamente. Uma Europa unida, argumentam, é “inconcebível como projeto de paz, liberdade e democracia” sem os seus valores.
Os bispos alemães sublinharam que uma Europa unida “continua a ser um ator crucial no cenário mundial, apesar das pressões internas e externas que enfrenta e da “difícil situação económica e de segurança”.
O quadro de paz que, segundo a declaração, perdura há mais de 80 anos foi criado pela integração europeia, sendo, ao mesmo tempo, “um projeto de liberdade e democracia”, aprofundando o lema da “unidade na diversidade”. O desenvolvimento desse projeto carece, no entanto, de uma narrativa de esperança: “A esperança dá o ímpeto para avançar e retomar a iniciativa”, salienta o texto.
O episcopado alemão recorda que a fé cristã e os seus princípios socioéticos foram uma força motriz para muitos dos pais e mães fundadores da UE, moldando, juntamente com o Iluminismo, a base intelectual da Europa. O cristianismo, com sua “compreensão de liberdade, dignidade e responsabilidade”, “acrescentou às tradições jurídicas romanas e democráticas gregas a compreensão da dignidade e da igualdade fundamental de todas as pessoas”, enfatiza a declaração. E é nessa base que os bispos também se opõem ao conceito de um “Ocidente cristão”, entendido como “um grito de guerra político”.
O contributo positivo que o cristianismo deve dar para a democracia e a integração europeia fundamenta-se na mensagem do Evangelho, na qual “a verdadeira paz é tanto um dom de Deus como uma missão para todos os povos”.










