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Os bispos alemães na visita ‘ad limina’ a Roma, durante cinco dias. Foto © Deutsche Bischofskonferenz/Daniela Elpers.

Sínodo sobre a Sinodalidade

Bispos alemães criticam “Instrumentum Laboris” por evitar questões urgentes que não podem ser adiadas

| 25/06/2023

Os bispos alemães na visita ‘ad limina’ a Roma, durante cinco dias. Foto © Deutsche Bischofskonferenz/Daniela Elpers.

Os bispos alemães na visita ‘ad limina’ a Roma, durante cinco dias. Foto © Deutsche Bischofskonferenz/Daniela Elpers.

 

O Instrumentum Laboris (IL), divulgado pela Secretaria-Geral do Sínodo no dia 20 de junho [ver 7MARGENS], passa ao lado de “questões urgentes que não podem ser adiadas por muito mais tempo por uma igreja que se quer sinodal”, escrevem os bispos alemães numa nota de reação àquele texto.

E quais são essas questões que “não podem de modo nenhum ser ignoradas”? São “os temas e as questões que estão surgindo em todo o mundo” como, “por exemplo, sobre a maior participação das mulheres, ou o futuro da função sacerdotal, sobre como lidar com a autoridade e a sua relação com a comunidade ou a renovação da doutrina sobre a sexualidade”.

O documento de receção do IL é assinado, em nome dos participantes da via sinodal alemã, pelos três bispos eleitos pela Conferência Episcopal Alemã, Georg Bätzing (presidente da Conferência Episcopal Alemã e bispo de Limburg), Bertram Meier (bispo de Augsburg) e Franz-Josef Overbeck (bispo de Essen).

Citando o que é escrito no documento do Vaticano – “Como Igreja que escuta, a Igreja sinodal quer ser humilde, e sabe que deve pedir perdão e tem muito que aprender” (IL n. 23) – os bispos sublinham que “é mais do que aconselhável levar a sério as afirmações sobre a importância da escuta e perguntar-nos constantemente o que podemos aprender com os outros”. Ou seja, não convém pôr de lado “as experiências adquiridas no caminho sinodal da Igreja na Alemanha”, pois estas “podem ser muito bem incorporadas nas reflexões sobre uma Igreja mais sinodal no futuro”. 

Sem referir o conflito que os opõe a Roma no tema da participação dos leigos num Conselho Pastoral Sinodal com grande protagonismo na gestão, definição de prioridades e condução da Igreja Alemã, a declaração dos três bispos não podia ser mais clara ao afirmar que as conclusões do seu caminho sinodal  “são algo de bom e útil para toda a Igreja universal”, que podem contribuir para  o tão desejado  “espírito sinodal” que não se pode desenvolver “sem que a Igreja se dote de estruturas sinodais”.

A crítica mais genérica e mais enfática ao IL diz respeito ao facto de todo ele se centrar no “como” concretizar a sinodalidade, sem desenhar um caminho para que se aprofunde a reflexão e a ação sobre “os tópicos” mais vezes sublinhados como condição para uma vida eclesial sinodal, nem para os “abordar e abordá-los em detalhe”.

Na sua nota, os bispos alemães não deixam de sublinhar o seu bom acolhimento de tudo quanto sobre a diversidade das realidades nacionais, a relevância da Igreja Local e a importância do contributo de todos os batizados é dito no IL. “Podemos destacar”, escrevem os bispos alemães, “alguns aspetos notáveis, que dificilmente encontraremos em outros documentos romanos”. E enumeram: a referência à “consciência de que a Igreja local, como lugar teológico onde os batizados experimentam concretamente o ‘caminhar juntos’, deve necessariamente ser tomada como ponto de referência privilegiado” (IL n. 11)”; o reconhecimento de “uma imagem diversa e multifacetada da Igreja” sobre a qual o docuemnto afirma que “esta Igreja não tem medo da diversidade que abriga em si mesma, mas valoriza-a sem a obrigar a ser uniforme (IL n. 25)”. Ou seja, tudo quanto no Instrumento Laboris sublinha a valorização da importância da Igreja local que o atual processo sinodal pôr em relevo.

 

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