Caminho sinodal

Bispos alemães e Cúria romana entraram em fase de diálogo

| 24 Mar 2024

Os bispos alemães na visita ‘ad limina’ a Roma, durante cinco dias. Foto © Deutsche Bischofskonferenz/Daniela Elpers.

Os bispos alemães na visita ‘ad limina’ a Roma, em 2022. Foto © Deutsche Bischofskonferenz/Daniela Elpers.

 

Entre a dureza das críticas da Cúria romana ao Caminho Sinodal alemão e as queixas do episcopado e do Comité Central dos Católicos da Alemanha de que o Vaticano criticava, mas não dialogava, o encontro entre os dois lados aconteceu na última sexta-feira, permitindo avançar com o processo sinodal no país, mas com acompanhamento apertado de Roma.

O Vaticano e o próprio Papa foram duros no cerco à concretização das decisões do Caminho Sinodal da Igreja alemã, tomadas na sequência de um processo de cerca de três anos, motivado pela consciência de uma profunda crise do catolicismo na Alemanha, na qual os abusos sexuais e de poder tiveram papel destacado. O cenário apontado era o do cisma, se não houvesse arrepiar de caminho.

Do lado alemão, assegurava-se que a comunhão eclesial não estava em questão, mas que era preciso que, também neste caso, a escuta sinodal fosse aplicada por Roma.

Do relato do encontro de sexta-feira, em Roma, feito pelo site da Igreja alemã, conclui-se que ele durou todo o dia, decorreu em “ambiente positivo e construtivo”, tendo sido conseguido um compromisso.

Um aspeto que se salienta no que foi conhecido da reunião é que se registaram pontos tanto de acordo como de desacordo, tendo sido acertado “um intercâmbio regular entre os representantes da Conferência Episcopal Alemã e da Santa Sé sobre o trabalho futuro do Caminho Sinodal e da Comissão Sinodal”.  

Recorde-se que tinha sido esta Comissão Sinodal, constituída em novembro de 2023, com a tarefa de preparar a constituição de um Conselho Sinodal permanente, a fazer soar o alarme em Roma. Ora, o que saiu da reunião aponta para a aceitação do funcionamento dessa Comissão por parte do Vaticano, ainda que não se explicite se esse trabalho terá alguma condicionante, para além da supervisão romana.

A Cúria havia sido anteriormente taxativa na rejeição de um Conselho Sinodal no qual “bispos e leigos possam discutir e decidir conjuntamente sobre questões importantes dentro da Igreja na Alemanha”, quer no plano nacional quer das dioceses. A razão é que o documento orientador aprovado pelo Caminho Sinodal não salvaguarda que o bispo é, em última análise, quem toma a decisão final. 

Para já, ficaram previstos novos encontros, o primeiro dos quais, em Mainz, na Alemanha, em meados de junho e, em qualquer dos casos, os resultados a que se for chegando ficarão condicionados ao que vier a ser decidido na sequência do Sínodo Universal (que tem a segunda sessão prevista para o próximo mês de outubro), e contando com a decisão final do Papa.

Ao embarcar neste diálogo, sinaliza o site da Igreja alemã, os bispos alemães “comprometem-se de facto a não criar quaisquer novas estruturas de liderança para a Igreja Católica na Alemanha contra a vontade de Roma”. 

Na reunião desta sexta-feira, em Roma, a delegação alemã era constituída pelo presidente da Conferência Episcopal alemã, pelos bispos de Augsburgo, Mainz, Essen, Fulda e Trier, e ainda pela secretária geral da Conferência. Do lado romano estavam o secretário de Estado Pietro Parolin e os cardeais prefeitos dos dicastérios para a Doutrina da Fé, para os Bispos, para a Unidade dos Cristãos, para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos e para os Textos Legislativos.

 

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