
O presidente da Conferência Episcopal Alemã, o bispo Georg Bätzing, não questiona a pressão recebida do Vaticano, mas queixa-se da lentidão dos processos. Foto © Synodaler Weg/Maximilian von Lachner
Os bispos alemães estão a ser pressionados para não pararem as reuniões do Comité Sinodal, apesar de este órgão, ativado em novembro último, ter visto travada por Roma a aprovação dos respetivos estatutos, ficando, na prática, o Caminho Sinodal em compasso de espera. Porém, o presidente da Conferência Episcopal, que aceitou retirar o tema da ordem de trabalhos da assembleia, em nome da unidade, quer que Roma apresse os encontros entre as duas partes.
Depois das primeiras declarações críticas do Comité Central dos Católicos Alemães, foi agora a vez da Associação da Juventude Católica Alemã (BDKJ, na sigla em alemão) exprimir o entendimento de que os bispos poderiam, pelo menos, discutir esses estatutos na assembleia que decorre desde esta segunda-feira, 19 de fevereiro, em Augsburgo.
“Não podemos compreender de forma alguma as repetidas objeções do Vaticano”, disse o presidente federal do BDKJ, Gregor Podschun, nesta terça-feira em Düsseldorf. O facto de a votação dos estatutos do Comité ter sido retirada da ordem do dia da assembleia geral foi “uma grande deceção”.
Este dirigente juvenil, ele próprio membro do Comité Sinodal, recorda, no site da Igreja Católica da Alemanha, a este propósito, os resultados do Inquérito aos Membros da Igreja (KMU), publicado no outono passado, que, segundo ele, “mostra claramente que muitos católicos querem reformas na sua Igreja”. Um grande número de católicos e “especialmente os jovens, ficam incomodados quando os bispos atrasam novamente os processos necessários”, disse Podschun.
Do seu ponto de vista, o facto de os bispos transferirem para Roma a responsabilidade da suspensão significaria que eles “ainda não estão prontos” para trabalhar pela reforma da Igreja. Para o dirigente da BDJK, os bispos ainda colocam a sua obediência “acima da rutura com um sistema em vigor na Igreja, que também facilitou os abusos”.
Presidente do Episcopado lamenta lentidão de Roma
Por sua vez, o presidente da Conferência Episcopal Alemã, o bispo Georg Bätzing, intervindo na abertura da assembleia, esta segunda-feira, não questionou a pressão recebida do Vaticano, mas queixou-se do processo. “Podíamos estar muito mais avançados e as conversações [acordadas no outono de 2023] poderiam ter acontecido há já algum tempo”, lamentou, aludindo expressamente à lentidão e responsabilidade de Roma. “Muitas vezes leva mais de meio ano para que as datas sejam definidas”, exemplificou.
Nas combinações feitas em outubro último entre uma delegação do episcopado e os altos responsáveis que são interlocutores do lado do Vaticano – a Secretaria de Estado e os dicastérios para a Doutrina da Fé e para os Bispos – ficaram previstas “mais três reuniões”, para debater os textos aprovados no Caminho Sinodal alemão, mas não houve seguimento tendo em vista agendá-las, apesar de Bätzing aguardar isso “ansiosamente”.
Sobre a carta recebida a dois dias do início da presente assembleia dos bispos, o presidente mostrou-se “surpreendido” pelo momento escolhido em Roma para a fazer chegar. Mas, ao mesmo tempo, enfatizou a unidade e disse que era natural para ele cumprir o “desejo” que é também do Papa, “por respeito” aos responsáveis da Igreja.
Bätzing disse ainda que “há um grande interesse entre os bispos em manter o diálogo” com a Cúria restando-lhes, agora, “aproveitar o tempo para discutir as objeções do lado romano, extrair delas as consequências e preparar as negociações”.
O presidente da conferência episcopal afirmou-se convicto de que os bispos “poderiam, em grande medida, acalmar as preocupações do Vaticano”, dado que, para eles, “a sinodalidade não quer enfraquecer o cargo de bispo, mas sim fortalecê-lo”. E desenvolveu esta ideia nos termos seguintes:
O Caminho Sinodal não quer limitar “de forma alguma” a autoridade do bispo. “Queremos colocá-los num novo terreno porque a autoridade do bispo foi comprometida pelo escândalo dos abusos”. É por isso que é necessário um aconselhamento vinculativo e transparente que, em última análise, se traduza em decisões. As deliberações do Sínodo mundial caminharam nesta direção.
No que diz respeito às objeções do Vaticano ao Conselho Sinodal, Bätzing disse que sempre ficou claro que nada seria estabelecido que contradissesse o direito canónico.










