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Abusos sexuais, França, Lourdes

Crimes de abusos em França

Bispos assumem “responsabilidade institucional” da Igreja

| 06/11/2021

Abusos sexuais, França, Lourdes

Imagem do memorial das vítimas de abusos sexuais do clero em França, no exterior da Igreja de Santa Bernadette, em Lourdes. Imagem captada da transmissão em directo da KTO, sexta-feira, 5 de Novembro, durante a celebração de memória e penitência no âmbito da assembleia plenária da Conferência dos Bispos de França.

 

 

Os responsáveis católicos em França assumem a responsabilidade da Igreja nos crimes de abusos sexuais continuados de membros do clero sobre menores e reconhecem tratar-se de um “problema sistémico” que querem enfrentar.

São estas as notas essenciais que saíram, para já, da primeira assembleia plenária da Conferência dos Bispos de França (CEF, da sigla em francês) depois da divulgação do relatório Sauvé. A reunião começou na última terça, dia 2, e prolonga-se até segunda, dia 8.

Como seria de esperar, o tema central é a análise das consequências e das respostas a dar ao relatório da comissão independente, apresentado publicamente no início de outubro (ver 7MARGENS) e que não para de provocar ondas de choque, em França e internacionalmente.

A assembleia começou com um dia de silêncio, de leitura de partes do relatório, em particular dos depoimentos das vítimas e com um encontro com cinco representantes de vítimas.

Nesta sexta-feira, os bispos reuniram com perto de uma centena de leigos de diferentes movimentos e regiões da França, que eles próprios selecionaram, para refletir sobre os caminhos a percorrer pela Igreja. Foi no discurso de abertura desse encontro que o arcebispo de Reims e presidente da CEF, Éric de Moulins-Beaufort, referiu os dois pontos com que os bispos concordaram: “Reconhecimento da responsabilidade institucional da Igreja face à dimensão sistemática dos atos cometidos e do seu tratamento deficiente pelas autoridades eclesiásticas no passado e, eventualmente, ainda no presente; e a disponibilidade comum para encetar um caminho de justiça restauradora e reparadora relativamente às pessoas vítimas”.

 

Acrescentou ainda que algumas medidas assumidas pelos bispos, na sua reunião de março último, nomeadamente quanto a indemnizações das vítimas (ajudar aquelas que não beneficiaram da ajuda do Estado), se revela hoje, à luz da dimensão do problema, desenhado pelo estudo independente, manifestamente insuficiente. Aludiu ainda à necessidade de considerar mudanças significativas nos planos “eclesiástico e eclesial”.

O presidente da CEF desafiou, depois, a centena de leigos presentes, a juntar-se em pequenos grupos de bispos, religiosos e leigos, primeiro para uma partilha sobre a receção do relatório Sauvé e o impacto por ele provocado, e, numa segunda etapa, para uma reflexão comum sobre o que fazer a partir daqui.

Os trabalhos prosseguiram neste sábado, com uma reflexão em comum sobre as conclusões dos pequenos grupos. Está igualmente prevista uma cerimónia de natureza memorial e de uma celebração penitencial, preparada com representantes das vítimas.

Os resultados e as decisões e orientações para o futuro da Igreja de França devem surgir na segunda-feira, dia 8, quando o arcebispo Éric de Moulins-Beaufort os apresentar publicamente, numa sessão que será transmitida em direto pela KTO, televisão da Igreja Católica de França.

 

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