Decretada emergência em saúde pública

Bispos brasileiros “estarrecidos” e “profundamente indignados” com situação dos yanomami

| 23 Jan 2023

crianças desnutridas do povo yanomami, no brasil, foto Condisi-YYDivulgação (1)

As imagens que vieram a público revelam crianças e adultos yanomami subnutridos e a precisar de assistência médica urgente. Foto © Condisi-YY / Divulgação.

 

Os bispos católicos do Brasil já haviam feito vários apelos em defesa do povo yanomami, os líderes das comunidades indígenas da floresta amazónica e de várias organizações humanitárias também. Mas as imagens e números que vieram a público este sábado, 21 de janeiro, na sequência da visita do Presidente Lula da Silva e de uma comitiva de ministros à região, são impressionantes. O estado de emergência sanitária foi declarado e os bispos manifestam-se de novo: “estarrecidos”, “indignados” e ao mesmo tempo “profundamente solidários” com o povo e com todos aqueles que estão a “tentar evitar mais mortes” na Amazónia.

“Estamos vendo as imagens dos corpos esqueléticos de crianças e adultos do Povo Yanomami no Estado de Roraima, resultado das ações genocidas e ecocidas do Governo Federal anterior, que liberou as terras indígenas já homologadas para o garimpo ilegal e a extração de madeira, que destroem a floresta, contaminam as águas e os rios, geram doenças, fome e morte. Mais de 570 crianças já perderam a vida” [durante o último governo], escreveram os bispos da região, num comunicado divulgado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

A reserva indígena Yanomami é um vasto território de quase 10 milhões de hectares e onde vivem atualmente mais de 30.400 pessoas, de acordo com dados oficiais. Na década de 1990, os yanomami perderam um quinto da população devido a doenças importadas por garimpeiros, cuja atividade Bolsonaro tentou legalizar, no âmbito da sua política de defesa da exploração de recursos naturais da Amazónia.

Nos últimos anos, devido ao crescimento do garimpo, que contamina os rios e cria escavações com depósitos de água que geram proliferação de mosquitos, houve um aumento muito grande de casos de malária, contaminação por mercúrio e desnutrição.

Lula da Silva criou agora uma comissão nacional de coordenação para combater a falta de assistência médica à comunidade indígena e a ministra da Saúde, Nísia Trindade, avançou que será instalado um centro de operações de emergências de saúde pública na região. “Somaremos esforços na garantia da vida e superação dessa crise”, assegurou Lula numa publicação no seu perfil de Twitter, quando ia a caminho do estado amazónico de Roraima, na fronteira com a Venezuela, onde se localiza grande parte do território Yanomami. No regresso, voltava a escrever: “Mais que uma crise humanitária, o que vi em Roraima foi um genocídio”.

 

Na sua nota, os representantes religiosos dizem apoiar ““as decisões corajosas do Presidente da República e vários ministros, ministras e assessores que visitaram a região, tomando as medidas necessárias e urgentes para expulsar os invasores e salvar muitas vidas de pessoas à beira da morte”.

Citando a exortação pós-sinodal do Sínodo para a Amazónia, “Querida Amazónia”, os bispos referem estar “diante de mais uma situação em que se repete o que foi denunciado pelo Papa Francisco: ‘os povos nativos viram muitas vezes, impotentes, a destruição do ambiente natural que lhes permitia alimentar-se, curar-se, sobreviver e conservar um estilo de vida e uma cultura que lhes dava identidade e sentido’”.

 

Felizes os meninos de mais de 100 países – incluindo Portugal – que participam na Jornada Mundial das Crianças

Este fim de semana, em Roma

Felizes os meninos de mais de 100 países – incluindo Portugal – que participam na Jornada Mundial das Crianças novidade

Foi há pouco mais de cinco meses que, para surpresa de todos, o Papa anunciou a realização da I Jornada Mundial das Crianças. E talvez nem ele imaginasse que, neste curto espaço de tempo, tantos grupos e famílias conseguissem mobilizar-se para participar na iniciativa, que decorre já este fim de semana de 25 e 26 de maio, em Roma. Entre eles, estão alguns portugueses.

Cada diocese em Portugal deveria ter “uma pessoa responsável pela ecologia integral”

Susana Réfega, do Movimento Laudato Si'

Cada diocese em Portugal deveria ter “uma pessoa responsável pela ecologia integral” novidade

A encíclica Laudato Si’ foi “determinante para o compromisso e envolvimento de muitas organizações”, católicas e não só, no cuidado da Casa Comum. Quem o garante é Susana Réfega, portuguesa que desde janeiro deste ano assumiu o cargo de diretora-executiva do Movimento Laudato Si’ a nível internacional. Mas, apesar de esta encíclica ter sido publicada pelo Papa Francisco há precisamente nove anos (a 24 de maio de 2015), “continua a haver muito trabalho por fazer” e até “algumas resistências à sua mensagem”, mesmo dentro da Igreja, alerta a responsável.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Bispo José Ornelas: “Estamos a mudar o paradigma da Igreja”

Terminou a visita “ad limina” dos bispos portugueses

Bispo José Ornelas: “Estamos a mudar o paradigma da Igreja” novidade

“Penso que estamos a mudar o paradigma da Igreja”, disse esta sexta-feira, 24 de maio, o bispo José Ornelas, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), numa conversa com alguns jornalistas, em plena Praça de S. Pedro, no Vaticano, em comentário ao que tinha acabado de se passar no encontro com o Papa Francisco e às visitas que os bispos lusos fizeram a vários dicastérios da Cúria Romana, no final de uma semana de visita ad limina.

O mundo precisa

O mundo precisa novidade

O mundo precisa, digo eu, de pessoas felizes para que possam dar o melhor de si mesmas aos outros. O mundo precisa de gente grande que não se empoleira em deslumbrados holofotes, mas constrói o próprio mérito na forma como, concretamente, dá e se dá. O mundo precisa de humanos que queiram, com lealdade e algum altruísmo, o bem de cada outro. – A reflexão da psicóloga Margarida Cordo, para ler no 7MARGENS.

“Política americana sobre Gaza está a tornar Israel mais inseguro”

Testemunho de uma judia-americana que abandonou Biden

“Política americana sobre Gaza está a tornar Israel mais inseguro”

Esta é a história-testemunho da jovem Lily Greenberg Call, uma judia americana que exercia funções na Administração Biden que se tornou há escassos dias a primeira figura de nomeação política a demitir-se de funções, em aberta discordância com a política do governo norte-americano relativamente a Gaza. Em declarações à comunicação social, conta como foi o seu processo interior e sublinha como os valores do judaísmo, em que cresceu, foram vitais para a decisão que tomou.

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This