
Papa Francisco com indígenas no Canadá. Os bispos católicos do país reforçaram o pedido de perdão aos indígenas vítimas de abusos por parte de membros da Igreja. Foto © Vatican Media
Os bispos canadianos divulgaram no dia 24 de julho uma carta ao povo de Deus intitulada Das palavras eloquentes às parcerias significativas: um renovado compromisso católico com a reconciliação indígena, na qual reforçam o pedido de perdão aos indígenas vítimas de abusos por parte da Igreja Católica e elencam os progressos realizados no sentido de reparar os danos causados por estes crimes.
“A reconciliação requer uma profunda compreensão e respeito pela cultura, identidade e prioridades indígenas”, afirmam os bispos na carta que publicam quando se perfazem dois anos da visita do Papa Francisco ao Canadá. Nela anunciam que “o Fundo de Reconciliação Indígena (FRI) já angariou mais de 15 milhões de dólares”, estando “avançado em relação ao calendário de cinco anos previsto para recolher 30 milhões de dólares para apoiar projetos de tratamento e reconciliação das pessoas e famílias vítimas de abusos”.
O FRI financia ações e propostas “identificadas e selecionadas a nível local pelos povos indígenas e supervisionadas” pelo próprio fundo, o qual, escrevem os bispos, “já financiou projetos importantes que dão ênfase ao tratamento e à reconciliação dos povos indígenas e das suas famílias, à revitalização das culturas e das línguas, à educação e à construção de comunidades, bem como ao diálogo promotor da espiritualidade”.
Recordando as palavras de Francisco sobre a importância de se descobrir e reconhecer as verdades sobre as injustiças históricas enfrentadas pelos sobreviventes do internamento e pelas suas famílias, os bispos reafirmam que “a verdade deve vir antes da reconciliação e todas as dioceses são fortemente encorajadas a disponibilizar os seus registos relevantes aos investigadores e às comunidades indígenas, a fim de os ajudar a encontrar a verdade que procuram”. Para apoiar este trabalho “foram estabelecidas diretrizes sobre a documentação a disponibilizar e o acesso aos registos relevantes, incluindo os registos missionários, sacramentais e funerários, para ajudar os povos indígenas a identificar os atos perpetrados contra os seus entes queridos”.
“Este trabalho é complementar ao de outras entidades católicas que geriram ou operaram escolas residenciais criadas pelo Governo do Canadá e que disponibilizaram documentos relevantes ao Centro Nacional para a Verdade e Reconciliação”, mencionam os responsáveis católicos que sublinham o seu apreço pelas relações estabelecidas com os povos das Primeiras Nações, Métis e Inuit: “Queremos continuar a caminhar lado a lado, em solidariedade. Dado que cada comunidade indígena traz consigo dons e desafios únicos, as dioceses e paróquias locais desempenham um papel fundamental e de liderança no cumprimento deste compromisso… na escuta humilde e aberta da sabedoria e dos conselhos dos anciãos indígenas”.
Recordam, por fim, o apelo do Papa Francisco a uma ação firme e a um compromisso irreversível “com o novo caminho a forjar com os povos indígenas desta terra”: “O percurso da reconciliação e da esperança é um algo que devemos percorrer juntos. É por isso que continuaremos a ouvir e a apoiar os sobreviventes e as comunidades indígenas durante todo este caminho. Estamos gratos a todos os que nos acompanham nesta viagem de tratamento e reconciliação”.









