Exploração mineira

Bispos católicos brasileiros ao lado do povo Yanomami

| 26 Abr 2022

Canteiro de garimpo no Xitei. Crianças e mulheres Yanomami no lado esquerdo da imagem. Foto © Relatório da Hutukara Associação Yanomami.

Canteiro de garimpo no Xitei. Crianças e mulheres Yanomami no lado esquerdo da imagem. Foto © Relatório da Hutukara Associação Yanomami.

 

“O povo Yanomami está a ser ameaçado”, denuncia a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) numa posição pública assumida na última semana, que refere a violência contra o povo indígena da floresta amazónica e a inação do governo de Bolsonaro.

Em causa estão “projectos de mineração predatórios e gananciosos em áreas indígenas” que desde há algum tempo têm vindo a colocar em risco a existência de um dos últimos povos a viver na floresta amazónica.

Um relatório da Hutukara Associação Yanomami mostra que a exploração mineira no território situado na fronteira com a Venezuela cresceu 46% em 2021 em relação a 2020.

O estudo, de 120 páginas, documenta com fotografias de áreas desflorestadas e uma profusão de dados quantitativos, as práticas de extração ilegal de ouro, que afetam 16 000 pessoas Yanomami, ou seja, 56 por cento do total da população Yanomami.

A partir deste quadro de situação, o bispo Evaristo Pascoal Spengler, OFM, que é também presidente da Comissão Episcopal de Cuidados Pastorais Especiais na Luta contra o Tráfico de Pessoas (CEPEETH), emitiu uma declaração em que considera “alarmante” o número de ataques criminosos contra as comunidades Yanomami e exprime a sua “solidariedade e empenho na defesa da vida das comunidades e das florestas Yanomami, especialmente nas áreas de reservas indígenas”.

Os bispos brasileiros têm acompanhado este processo e denunciam não apenas os efeitos devastadores da mineração como a violência e prepotência dos garimpeiros que chegam a atacar sexualmente as jovens das comunidades Yanomami.

Por sua vez, o bispo Evaristo Pascoal Spengler escrevia, na sua mais recente denúncia: “Nos últimos três anos, o dragão devorador da mineração tomou força novamente e avança com toda a ferocidade e poder das organizações criminosas sobre a Terra Yanomami. Quem de nós não tem acompanhado as impactantes notícias das agressões armadas às aldeias, as várias mortes causadas pelo garimpo, tais como a draga que sugou as duas crianças no rio Parima, em outubro do ano passado, e a violação de meninas e mulheres que são aliciadas em troca de comida pelos donos do garimpo?”

Para tornar a situação ainda mais grave, o governo do presidente brasileiro Jair Bolsonaro apresentou em meados de março deste ano ao Congresso Nacional um projeto de lei que poderia autorizar o governo a legalizar a exploração dos recursos mineiros no território Yanomami.

Como observa o jornal digital La Croix International, num trabalho recente sobre este caso, o texto legal, uma vez adotado, facilitaria a exploração dos recursos em territórios indígenas para compensar a falta de matérias-primas, devido à queda das importações desde o início da guerra na Ucrânia e ao embargo aos produtos russos.

A defesa dos povos indígenas e dos seus direitos às suas terras tem sido objecto de apelos recorrentes por parte dos bispos brasileiros, especialmente desde a assembleia especial do Sínodo dos Bispos na Região Pan-Amazónica, em outubro de 2019.

Para conhecer melhor o povo Yanomami, aceder AQUI.

 

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