
Tanque destruído numa rua de Bucha (Ucrânia): bispos católicos europeus e Santa Sé insistem no fim da “loucura” da guerra. Foto © Presidência da Ucrânia.
A Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia (Comece) lançou esta sexta-feira, 14, um apelo veemente à Rússia para suspender a guerra na Ucrânia e a todas as partes para que se abram a negociações que respeitem a integridade territorial da Ucrânia.
Numa declaração intitulada “Guia os nossos passos pelo caminho da paz” (Lucas 1, 79), assinada por duas dezenas de bispos católicos, entre os quais o bispo do Funchal, Nuno Brás, em representação do episcopado português, os membros da Comece consideram que “a guerra na Ucrânia também nos afeta diretamente como cidadãos da União Europeia”. Nesta linha, dizem-se “profundamente preocupados com o risco de ações recentes favorecerem a expansão da guerra em curso, com consequências desastrosas para a humanidade”.
Reunidos para a assembleia plenária do outono, os bispos exprimem tristeza pelo sofrimento infligido aos ucranianos pela “brutal agressão militar iniciada pelas autoridades russas”, manifestam proximidade às vítimas bem como aos milhões de refugiados, “principalmente mulheres e crianças, que foram forçados a deixar suas casas (…) por causa da ‘loucura da guerra’”.
O comunicado da Comece evoca, depois, todos os que estão a viver dificuldades económicas cada vez mais graves devido à crise de energia, à inflação crescente e ao aumento do custo de vida. “Tais crises – acentuam os bispos – tornam mais evidente o profundo valor da União Europeia e sua visão fundadora”, manifestando gratidão aos dirigentes da União pela solidariedade com a Ucrânia e pela “mitigação das consequências da guerra para os cidadãos europeus”. “Encorajamos vivamente estes líderes a manterem a sua unidade e a permanecerem empenhados no projeto europeu”, sublinham ainda.
A Comece manifesta, a finalizar, “plena comunhão com os numerosos apelos feitos pelo Papa Francisco e pela Santa Sé” e, na mesma linha, afirma: “Também nós fazemos um forte apelo aos agressores para que suspendam de imediato as hostilidades e a todas as partes para que se abram à negociação de ‘propostas sérias’ para uma paz justa, trabalhando para uma solução do conflito, que respeite o direito internacional e a integridade territorial da Ucrânia.”
Santa Sé na ONU: “Iniciar negociações”
Na quarta-feira, 12, o representante do Vaticano junto das Nações Unidas, arcebispo Gabriele Caccia, interveio na 11ª sessão especial de emergência da Assembleia Geral, que tratou da questão da integridade territorial da Ucrânia, apresentando as linhas de ação propostas pela Igreja Católica para suspender o conflito na Ucrânia e buscar uma solução de paz justa.
O observador permanente da Santa Sé seguiu de perto o que afirmou o Papa Francisco, antes da oração do Angelus, em 2 de outubro último. Dirigindo-se aos líderes da Federação Russa e da Ucrânia, apelou a que as armas se calem e que sejam procuradas “condições para iniciar negociações capazes de levar a soluções que não sejam impostas pela força, mas sim acordadas, justas e estáveis“.
Como tinha sublinhado o Papa, tais condições devem ser “baseadas no respeito pelo valor sacrossanto da vida humana, bem como da soberania e da integridade territorial de cada país”. E isso “sem nos deixarmos envolver em perigosas escaladas” de uma guerra de novo caraterizada como “uma loucura”.









