
Bispos franceses recebidos pelo Papa em dezembro de 2022. Foto © Vatican Media
O conselho permanente dos bispos da Igreja Católica de França considera, num comunicado divulgado esta quinta-feira, 20 de junho, que o resultado das recentes eleições europeias, que deram a vitória à extrema-direita, “é mais um sintoma de uma sociedade ansiosa, dividida e em sofrimento”. Neste contexto, e em vésperas dos atos eleitorais para a Assembleia Nacional, apresentaram uma oração que deverá ser rezada por todas as comunidades nestes próximos dias.
Os bispos consideram que a dissolução da Assembleia lançou o país numa “agitação inesperada”, apelando a que os católicos, tal como todos os concidadãos, devem exercer a sua responsabilidade democrática e dar o seu “contributo para a qualidade da vida democrática e social” do país, ainda que, acrescentam eles, tenham “plena consciência de que as eleições legislativas não resolverão tudo”.
Independentemente das escolhas eleitorais que vierem a ser feitas, em 8 de julho – o dia seguinte à segunda volta do ato eleitoral – os franceses têm de respeitar os seus concidadãos que tenham opiniões diferentes e “trabalhar em conjunto para assegurar a continuidade e a melhoria da vida social comum”, observam os representantes do episcopado.
O comunicado não deixa, nessa linha, de enunciar alguns pontos que deverão continuar a ser preocupação das políticas públicas, qualquer que seja o resultado das escolhas dos franceses: honrar os compromissos assumidos pelo país e servir a paz e a justiça no mundo; evitar a violência e “não espalhar a ira e o ódio, não resignar-se à injustiça, mas lutar pela justiça através da verdade e da fraternidade”.
“No futuro, adianta o texto, todos terão de se preocupar sempre com aqueles que estão em pior situação do que eles”, devendo os católicos, neste quadro, ser “pacificadores” e “agentes de amizade social”.
A breve oração proposta a todas as comunidades católicas refere o momento de grandes decisões para a França, pede a capacidade de discernimento dos que votam e de iluminação para os que vão ser escolhidos como deputados e governantes, invocando para eles “um forte sentido de servir o bem comum”.
Ao contrário do que se passou recentemente na Alemanha, em que o episcopado deu claramente a indicação de que votar na extrema-direita seria contradizer os valores do evangelho, em França, a posição agora publicitada limita-se a enunciar princípios e valores que devem ser prosseguidos. Recorde-se, neste contexto, que 42 em cada cem católicos praticantes votaram em partidos de extrema-direita nas recentes eleições europeias, em França (ver 7MARGENS).









