A política de cortes cegos e abruptos do Governo de Trump forçou os bispos católicos dos EUA a interromper os serviços de acolhimento e instalação de refugiados e crianças não acompanhadas, encerrando uma cooperação de décadas entre as autoridades norte-americanas e a Igreja Católica.
As parcerias que vinham sendo renovadas anualmente tornaram-se “insustentáveis”, na sequência da publicação e transposição para o terreno, em final de janeiro último, de uma política de imigração que tem sido considerada cruel e injusta pelas organizações que apoiam os imigrantes e, em particular as igrejas cristãs: frequentemente ela generaliza casos de imigrantes faltosos ou criminosos a pessoas e famílias que trabalham e estão inseridas na sociedade e pagam há décadas os seus impostos.
Além de não renovar a colaboração, a Conferência dos Bispos Católicos (USCCB, na sigla em inglês) viu-se na contingência de ter de despedir um terço dos funcionários que estavam envolvidos nessas atividades sociais.
Um porta-voz do episcopado disse à OSV News que os bispos estavam a tentar conseguir o reembolso de cerca de 25 milhões de dólares por serviços já realizados, mas que continuavam por pagar no início do corrente mês.
Devido a estas situações, a Conferência interpôs mesmo uma ação em tribunal, para fazer valer os seus direitos, à luz dos compromissos que haviam sido assumidos anteriormente pelo governo.
O presidente da USCCB, o arcebispo Timothy Broglio, citado pelo National Catholic Reporter, disse esta segunda feira, 7 de abril, que era “de partir o coração” anunciar que a Conferência Episcopal não renovaria os seus “acordos de cooperação existentes com o governo federal relacionados com serviços para crianças e apoio a refugiados”.
“A decisão de reduzir esses programas – explicou – força-nos drasticamente a reconsiderar a melhor maneira de atender às necessidades dos nossos irmãos e irmãs que buscam um porto seguro contra a violência e a perseguição.” Dado tratar-se de “um esforço nacional, o que acontece é que não podemos sustentar o trabalho sozinhos nos níveis atuais ou na forma atual”, disse.
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