
Centenas de pessoas têm vindo a manifestar-se, ao longo dos últimos dias, em frente a um antigo hotel em Roscrea, onde cerca de 160 requerentes de proteção internacional serão acolhidos. Foto @rtenews, via X
Os bispos católicos e anglicanos da Irlanda dizem-se “perturbados” e “tristes” com as fortes manifestações que têm ocorrido em algumas cidades portuárias do país, com o objetivo de impedir o acolhimento de requerentes de asilo. Numa declaração conjunta divulgada esta semana, pedem “calma” e lembram que os migrantes “vêm de situações muito angustiantes” e “merecem qualquer nível de ajuda que possa ser oferecido”, mesmo que isso implique “algum sacrifício” da parte de quem acolhe.
“Nos últimos dias e semanas, tem sido perturbador e triste ver alguns dos fortes protestos contra a chegada de pessoas que procuram alojamento de emergência em Roscrea, que fica na diocese de Killaloe e também em outros locais do país”, pode ler-se na declaração assinada pelo bispo Fintan Monahan, da diocese católica de Killaloe, e pelo bispo Michael Burrows da diocese de Killaloe, Limerick e Tuam, da Igreja da Irlanda, citada esta quinta-feira, 18, pelo jornal Crux.
Centenas de pessoas têm vindo a manifestar-se, ao longo dos últimos dias, em frente a um antigo hotel em Roscrea, uma cidade mercantil no condado de Tipperary com uma população de pouco mais de 5.400 habitantes, onde cerca de 160 requerentes de proteção internacional serão acolhidos, tentando impedir que os refugiados entrem no edifício, onde se prevê que fiquem alojados ao longo deste ano.
“A situação em Roscrea e noutros locais apresenta muitas complexidades, com algumas preocupações genuínas tanto no que diz respeito aos recursos para os novos residentes como às comodidades e serviços nas áreas em questão. No entanto, gostaríamos de apelar à calma, a uma abordagem pacífica das questões envolvidas. Muitos expressaram preocupação com o efeito a longo prazo que os protestos e a agitação podem ter sobre as crianças pequenas e as famílias que agora residem nas instalações”, assinala a declaração dos bispos.
E conclui com um pedido: “O nosso apelo conjunto é para que todos tenhamos em mente o panorama geral e a situação de emergência que se apresenta. Muitas das pessoas que chegam às nossas costas vêm de situações muito angustiantes e necessitam urgentemente de refúgio e abrigo. Eles merecem qualquer nível de ajuda que possa ser oferecido e fornecido, mesmo que envolva algum sacrifício ou inconveniência, e fazermos ‘a milha extra’, por assim dizer”.
De acordo com o Crux, os manifestantes têm erguido cartazes com mensagens como “A Irlanda está cheia” e “Extorsão de dinheiro para asilo”, e alegam que a cidade já tem vários refugiados ucranianos e não tem capacidade para apoiar mais nenhum.
O primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, reagiu aos protestos, considerando que estes são “anti-liberdade”. “A Irlanda é uma república, somos uma democracia, somos um país livre e num país livre e democrático as pessoas têm o direito de protestar e de ter opiniões que outras pessoas possam considerar questionáveis. No entanto, ninguém tem o direito de praticar violência contra indivíduos, danificar propriedades ou impedir que as pessoas cheguem às suas casas ou ao trabalho”, disse Varadkar. “Isso é antidemocrático, é anti-liberdade e é contra o espírito e os valores da nossa nação”, concluiu.









