Num momento em que a economia mundial se ressente devido às taxas comerciais anunciadas pela administração Trump, a Conferência dos Bispos Católicos dos EUA (USCCB) e a Jubilee USA Network (coligação de grupos religiosos que visa erradicar a pobreza) têm uma proposta para o Presidente norte-americano: perdoar algumas dívidas.
Numa carta conjunta dirigida a Trump, ambas as instituições incentivam Donald Trump a dar continuidade aos esforços globais de alívio da dívida do seu primeiro mandato. “O alívio da dívida e a reestruturação constituem uma política económica e de segurança eficaz, fortalecendo a liderança global do nosso país”, pode ler-se na missiva, citada pela OSV News esta sexta-feira, 11 de abril.
“Essas políticas, que nos custam pouco, contribuem significativamente para a estabilidade dos nossos parceiros comerciais, reduzem os preços de alimentos e combustíveis aqui no país e apoiam os empregos e as exportações americanas”, sustenta o texto assinado pelo bispo A. Elias Zaidan, presidente do Comité de Justiça e Paz Internacional da USCCB, e Eric LeCompte, diretor executivo da Jubilee USA Network.
“Em média, nações em desenvolvimento estrategicamente importantes gastam atualmente mais de 40% da sua receita com o pagamento de dívidas. Quase 800 milhões de pessoas em todo o mundo enfrentam a fome e quase 700 milhões vivem em pobreza extrema”, afirma a carta, procurando convencer Trump de que “a redução da ajuda externa de países desenvolvidos a países em desenvolvimento nos últimos seis anos ressalta a urgência dos esforços” dos EUA “para implementar políticas significativas de alívio da dívida”.
“Simplificando”, conclui a o texto, “o mundo precisa de uma liderança americana forte em matéria de alívio da dívida e reforma da arquitetura financeira”.
Os apelos contidos nesta carta fazem eco do pedido feito pelo Papa Francisco na bula de proclamação do Jubileu 2025 e repetido na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano.
Além disso, o Papa pediu novas estruturas financeiras, para que o perdão das dívidas “não se torne apenas um ato isolado de caridade que simplesmente reinicia o ciclo vicioso de financiamento e endividamento”. Menos de duas semanas depois, o Vaticano — em parceria com grupos inter-religiosos e de desenvolvimento — lançou campanhas de alívio da dívida em 160 países.
Mas o apelo parece não ter sido escutado por Trump, que em Janeiro ordenou o congelamento quase total de toda a ajuda externa dos EUA e, em março — após uma revisão das operações da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) — anunciou que 83% dos seus programas seriam cancelados.
Os bispos católicos norte-americanos e a Catholic Relief Services (CRS) – organização não governamental católica que dá apoio às populações mais carenciadas em vários locais do mundo e correspondente à Cáritas nos Estados Unidos – solicitaram também esta semana aos legisladores da Câmara dos Representantes que aprovem uma quantia avultada em assistência humanitária internacional no próximo projeto de lei de dotações.
De acordo com a Catholic News Agency, o vice-presidente executivo da CRS, Bill O’Keefe falou esta quinta-feira na Câmara, tendo adotado tom conciliador em relação à maioria republicana, agradecendo-lhes pela “sua liderança numa altura de realinhamento da assistência internacional dos EUA com o objetivo de tornar a América mais forte, mais segura e mais próspera”. O’Keefe disse que esperava trazer “uma perspectiva católica para esse realinhamento”, que se concentra na adesão a três princípios: “dignidade humana inerente, solidariedade e subsidiariedade”.
“A Igreja Católica tem o dever moral de atender aos nossos vizinhos necessitados, sejam eles próximos ou distantes”, afirmou o responsável da CRS, assinalando no entanto que “este trabalho não pode ser deixado apenas para a Igreja e para outros grupos da sociedade civil. A doutrina da Igreja há muito tempo afirma que os governos devem buscar ativamente o bem comum, não apenas para os nossos cidadãos, mas para todos os membros da família global”.
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