Missa da Terra do Espírito Santo

Bispos da Austrália aprovam nova liturgia aborígene

| 8 Mai 2024

papa francisco com indigenas no canada foto vatican media

O Papa Francisco com indígenas no Canadá, num dos seus múltiplos encontros com povos originários: a aprovação da nova liturgia pretende envolver cada vez mais os aborígenes. Foto © Vatican Media. 

Envolver e acolher cada vez mais os povos e culturas indígenas é o objetivo da Igreja Católica na Austrália com a aprovação de uma nova liturgia que envolve elementos da língua e cultura aborígenes no país. A decisão foi tomada durante uma reunião plenária da Conferência dos Bispos Católicos Australianos em Sydney, na última terça-feira, 7 de maio.

“Temos de caminhar com os aborígenes. Estou muito satisfeito por, após um tão longo período de utilização, a Missa Terra Spiritus Sancti ter sido oficialmente reconhecida pelos bispos da Austrália”, afirmou o bispo Michael Morrissey, administrador apostólico da diocese de Broome, citado pelo Crux. “Reconhecemos que existem muitas culturas aborígenes na Austrália e rezamos para que todas elas sejam guiadas pelo Espírito Santo para desenvolver a melhor maneira de celebrar a Eucaristia da forma mais apropriada com o seu povo, dentro da vida da Igreja”, acrescentou.

Designada Missa da Terra do Espírito Santo, a nova liturgia foi aprovada através de um documento apresentado à Comissão Episcopal para a Liturgia Australiana, tendo sido, igualmente, patrocinada pela Comissão Episcopal para as Relações com os Aborígenes e os Povos das Ilhas do Estreito de Torres, localizado entre a Austrália e a Papua Nova Guiné. Será agora submetida ao Dicastério para o Culto Divino, do Vaticano, para reconhecimento oficial.

Durante o seu pontificado, Francisco tem-se encontrado com grupos indígenas e discursado várias vezes acerca do respeito pelas suas terras e costumes culturais. Ao longo do Sínodo dos Bispos sobre a Amazónia, em 2019 e na exortação que se seguiu, intitulada Querida Amazónia, “o Papa sublinhou a necessidade de uma melhor inculturação da fé nas comunidades indígenas, particularmente através da liturgia e da criação de mais seminários para ajudar a fomentar as vocações locais”.

Maureen Yanawana e Madeleine Jadai, duas anciãs da paróquia de Bidyadanga, ou La Grange, participaram na reunião nesta terça-feira em Sydney para apresentar uma cópia impressa da Missa aos bispos e discutir a sua experiência. “Cantar a plenos pulmões traz-nos paz”, referiu Yanawana, acrescentando: “Gostaríamos que todos os nossos bispos se sentassem no nosso lugar, fossem convidados a sentar-se à volta da nossa gente, tivessem essa paciência e se limitassem a ouvir.”

Numa declaração após a aprovação da Missa da Terra do Espírito Santo, na terça-feira, o Conselho Nacional Católico Aborígene e das Ilhas do Estreito de Torres caraterizou a liturgia como uma “missa distinta que combina maravilhosamente a tradição católica com a cultura aborígene, criando assim uma celebração única de fé que tem servido a diocese há mais de cinco décadas”. Esta missa, considerou o conselho, “não é meramente uma prática litúrgica, mas um testemunho da profunda ligação entre a nossa fé e a rica tapeçaria da cultura aborígene”. E “simboliza uma ponte que une as nossas crenças espirituais com a sabedoria ancestral dos guardiões originais da terra”. “É uma expressão tangível do empenhamento da Igreja em reconhecer e valorizar as dimensões espirituais e culturais da vida dos povos indígenas, fomentando assim um ambiente de inclusão e respeito”, acrescenta aquele organismo.

Ao longo de uma visita a Alice Springs em 1986, o Papa João Paulo II disse aos aborígenes e aos habitantes das Ilhas do Estreito de Torres: “Vocês fazem parte da Austrália e a Austrália faz parte de vocês. A própria Igreja na Austrália não será plenamente a Igreja que Jesus quer que ela seja até que vocês tenham dado a vossa contribuição para a sua vida e até que essa contribuição tenha sido recebida com alegria por outros”, afirmou na ocasião.

A aprovação da Missa acontece quatro meses antes da viagem de 10 dias que o Papa fará à Ásia e à Oceânia em setembro próximo, com paragens na Indonésia, Timor-Leste, Papua-Nova Guiné e Singapura. Durante a viagem, espera-se que Francisco se encontre com as comunidades indígenas locais.

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