Bispos de Angola denunciam degradação do ambiente político e da situação social

| 6 Mar 21

Água, Cafunfo, Lunda Norte, Angola.

Cafunfo, Lunda Norte, Angola, onde a 30 de janeiro terá ocorrido um “massacre de manifestantes”, também recordado pelos bispos. Foto © Mosaiko

Os bispos angolanos apelaram à contenção e respeito mútuo no país, manifestando-se preocupados com a “degradação do discurso político que ameaça desmoronar a unidade nacional, reconciliação, justiça e paz em construção com tanto sacrifício”.

Num comunicado apresentado na última segunda-feira, dia 1, no final da primeira reunião deste ano da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), que decorreu na Muxima, Luanda, os bispos afirmam que “continua a agudizar-se a situação social do país, com níveis elevados de pobreza, fome, desemprego, perda acentuada do poder de compra e o encerramento de empresas”, avançou a agência Lusa, citada em vários média.

Além disso, a falta de chuva no Centro e Sul do país voltam a levantar o espetro da fome, pelo que os bispos exortam as autoridades a criarem um plano de contingência para acudir às populações vulneráveis.

Vários membros da sociedade civil já manifestaram, anteriormente, preocupações com o “agudizar da fome” na região sul de Angola, em consequência da seca, “perigando a sobrevivência” de várias famílias e animais.

Os incidentes de 30 de janeiro em Cafunfo, na província angolana da Lunda Norte, que resultaram em várias mortes e feridos, com a polícia a considerar como o sucedido como “um ato de rebelião” e a população como “manifestação pacífica”, também mereceram reflexão nesta plenária.

A CEAST manifestou apoio e solidariedade para com os bispos da província eclesiástica de Saurimo, que congrega as dioceses ou províncias do Leste de Angola, que “condenaram e deploraram os atos de violência” que “resultaram em mortes e violações clamorosas e incompreensíveis dos direitos humanos na vila de Cafunfo”, lê-se na nota.

 

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