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Ajuda humanitária é urgente

Bispos de Moçambique dizem que ainda há fome em Cabo Delgado

| 19/11/2021

Os membros da Conferência Episcopal de Moçambique, no final da sua assembleia plenária de Novembro. Foto reproduzida da página da CEM no Facebook.

 

Os bispos católicos moçambicanos dizem que continuam preocupados com a situação em Cabo Delgado (Norte do país), e que um dos grandes desafios do momento “continua a ser a assistência humanitária às populações vítimas de violência e deslocadas”, pois há ainda “muita gente passando fome, sede, portanto, sem o mínimo de recursos para a sobrevivência”. 

Outra prioridade “é a urgência de organizar e investir no trabalho de reconstrução de infraestruturas condignas e habitações para as populações que voltam para as próprias aldeias”, diz o comunicado final da reunião de Novembro da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), que decorreu em Marracuene, 40 quilómetros a norte de Maputo. 

Afirmando que “a situação da segurança em Moçambique e em especial em Cabo Delgado e no Centro do país, constitui um dos focos” das suas preocupações e reflexões”, os bispos católicos manifestam ainda a sua “solidariedade para com a multidão de pessoas que ainda permanece nos campos de reassentamentos”. 

O comunicado da CEM lembra, entretanto, como o episcopado moçambicano já tinha feito noutras ocasiões, que “a situação da juventude, o seu presente e o seu futuro” continua também a estar no centro da sua atenção. Esta faixa etária, dizem, constitui “a grande parte de fiéis da nossa Igreja e da população moçambicana”. E é necessário um projecto nacional “capaz de ir ao encontro das suas legítimas inquietações e aspirações” e de dar aos jovens “oportunidades para realizarem os seus sonhos de vida”. Como notara o Papa Francisco na sua visita a Moçambique, recordam os bispos, “a juventude não é só o futuro, mas o presente de Moçambique que nos interpela”. 

“A Igreja está aqui convosco”

O bispo António Juliasse em visita ao campo de refugiados de Meculene. Foto @ ACN Portugal

Já depois da assembleia plenária da CEM, o administrador apostólico da diocese de Pemba, o bispo António Juliasse visitou o campo de realojamento de Meculene e as obras de construção de uma sala multiusos que tem o apoio da fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS). 

O centro de realojamento de Meculene, informa aquela instituição católica, alberga actualmente 648 famílias e é um sinal do “enorme esforço que a Igreja local está a desenvolver no apoio a todas as vítimas do terrorismo”. 

“É a Igreja, é a Diocese de Pemba, através da Cáritas, que está a ajudar a construir todos estes equipamentos…”, afirmou o bispo, que substituiu o brasileiro Luiz Lisboa, depois das pressões e ameaçadas de morte recebidas pelo anterior bispo de Pemba, por causa das suas chamadas de atenção para a situação de milhares de deslocados e vítimas da guerra. “A Igreja está aqui convosco”, disse o bispo Juliasse, recebido com cânticos e danças por mais de meia centena de cristãos que vivem no local, depois de terem fugido dos ataques e da violência que atingiram Cabo Delgado. 

O centro multiusos e a construção de casas-abrigo para os deslocados, informa ainda a AIS, são fruto do apoio que esta instituição internacional tem feito chegar à região, onde continua a haver relatos mais vagos ou mais concretos de recentes ataques terroristas. 

Os grupos que lançaram a violência nos últimos quatro anos estão agora mais dispersos e debilitados, graças às operações lançadas pelo Exército moçambicano apoiado por forças internacionais. Mas há notícias de bandos armados que andam pelas matas em pequenos grupos, o que ainda não dá segurança das populações. 

“Dois missionários que estão na região norte mandaram por estes dias notícias de novos ataques” que demonstram “que os terroristas estão aí”, diz o padre brasileiro Edegard Silva, da congregação dos missionários saletinos. 

Desde o início dos ataques, calcula-se que mais de três mil pessoas tenham perdido a vida e que haja pelo menos 800 mil deslocados. 

 

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