Bispos denunciam violência contra católicos na “crise anglófona” dos Camarões

11 Mar 19Estado, Política e Religiões, Igreja Católica, Newsletter, Últimas

Foto © Fundação AIS (ACN Portugal)

 

Depois de ataques a paróquias e até do assassinato de um missionário e de um seminarista, o rapto de mais de uma centena e meia de estudantes e alguns professores numa escola católica foi entendido como um aviso à Igreja Católica, alerta a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS). Os ataques inserem-se na chamada “crise anglófona” dos Camarões, que se traduz na luta pela independência que as regiões onde predomina a língua inglesa estão a realizar contra o poder da maioria francófona.

O rapto dos alunos e professores no Colégio Santo Agostinho, na cidade de Kumbo, foi concretizado a 16 de fevereiro. O bispo de Kumbo, George Nkuo, citado pela AIS, diz que as negociações para a libertação dos alunos e professores foram mediadas por padres católicos que não impediram, porém, o encerramento da escola pelas autoridades por alegada falta de condições de segurança: “Os separatistas querem encerrar todas as escolas na região. A nossa (escola) era a única ainda aberta e foi para nos castigar que levaram as crianças, por lhes termos desobedecido.” Os prisioneiros acabaram por ser libertados no dia seguinte.

À medida que crescem tensões entre os separatistas e o Governo do país têm vindo a aumentar ataques aos estabelecimentos de ensino da Igreja Caólica ou de outras entidades cristãs nos Camarões, assim como ao próprio clero. O bispo Michael Bibi, de Bamenda, na região onde predomina a língua inglesa (sudoeste do país), conta que ele mesmo foi alvo de uma tentativa de sequestro, e acrescenta: “A Igreja está na linha de frente. Um padre e um seminarista foram assassinados na região anglófona. Num dos casos (o assassinato do seminarista Gerard Anjiangwe, de 19 anos de idade, a 4 de Outubro), foi mesmo uma execução deliberada, que ocorreu diante da igreja e na presença dos paroquianos.”

Bispo George Nkuo. Foto © Fundação AIS

O que começou como uma série de protestos pacíficos, em 2016, foi evoluindo para o aparecimento de grupos armados independentistas, que tiveram uma resposta violenta do Governo, contrariando o desejo de uma “maior paridade na utilização da língua inglesa ao nível judiciário e educacional”. Calcula-se que só no ano passado tenham morrido centenas de pessoas em resultado dos confrontos entre os grupos rebeldes e as forças armadas.

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