
Os métodos de mineração ilegais e frequentemente abusivos praticados no Gana – conhecidos como galamsey – estão a provocar “níveis persistentes e alarmantes de degradação ambiental”. Foto © Direitos reservados
Os bispos católicos do Gana teceram fortes críticas ao Governo liderado por Nana Akufo-Addo pelo que consideram ser os esforços “fracos, inconsistentes e corruptos” para impedir a mineração ilegal no país. O problema, denunciaram numa conferência de imprensa organizada na última semana, está a agravar-se devido à “cumplicidade de líderes políticos e de alguns chefes”.
Um dos principais minerais explorados no Gana é o ouro, sendo aquele país o maior produtor em África. Mas os métodos de mineração ilegais e frequentemente abusivos praticados no Gana – conhecidos como galamsey, palavra derivada da frase em inglês “gather them and sell” (recolhe e vende) – estão a provocar “níveis persistentes e alarmantes de degradação ambiental”, alertam os bispos num comunicado citado pelo jornal Crux desta segunda-feira, 16 de setembro.
De acordo com este jornal, aproximadamente um milhão de ganeses estarão envolvidos em galamsey no Gana, sustentando cerca de 4,5 milhões de pessoas. A Câmara de Minas do país estima que o valor contrabandeado pelos mineradores ilícitos para o estrangeiro ultrapasse os dois biliões de euros por ano.
Já desde 2009 que os bispos católicos do Gana se manifestam publicamente contra os danos ambientais causados por esta prática, mas poucos ou nenhuns têm sido os resultados práticos obtidos, lamentam na sua mais recente declaração.
Mineração ilegal destrói saúde e ambiente, alertam bispos do Gana
“Pedimos ao Governo que pare com a conversa fiada na luta contra a galamsey, empregando todos os meios disponíveis para deter as atividades ilegais de mineração”, pode ler-se no comunicado da Conferência Episcopal Ganesa. “Isso inclui fazer cumprir as leis existentes, responsabilizar os perpetradores e garantir que os envolvidos na mineração ilegal enfrentem toda a força da lei sem medo ou favor”, acrescenta o documento.
Os bispos enfatizam ainda a importância de uma campanha educacional abrangente, instando os média, as organizações da sociedade civil e os diferentes órgãos religiosos a liderar esforços para consciencializar o público sobre as consequências a longo prazo da mineração ilegal. “As comunidades devem ser capacitadas para entender os efeitos devastadores da galamsey”, referem.
Na sua declaração, os bispos pedem ainda a recuperação de todas as áreas afetadas pela mineração ilegal na nação da África Ocidental, desafiando o Governo a tomar essa ação como prioritária. E apelam também às empresas de mineração, grandes e pequenas, para que se envolvam em práticas de mineração sustentáveis.
“Queremos declarar que os ganeses não podem mais tolerar o discurso do Governo de qualquer cor na luta contra a galamsey. Apelamos para a ação, não amanhã, mas agora, e desde esta conferência de imprensa, todas as mãos devem abraçar este dasafio”, concluem.









