Bispos dos EUA dissolvem grupo para “vigiar” o (católico) Presidente, mas mantêm posições contrárias a Biden

| 17 Fev 2021

Joe Biden

Joe Biden na posse como Presidente dos EUA: desde a eleição do novo Presidente que os bispos estão divididos sobre a relação que devem manter com ele. Foto: Direitos reservados.

 

A Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB, a sigla em inglês) decidiu dissolver o grupo de trabalho que tinha criado para acompanhar o trabalho do Presidente Joe Biden, o segundo católico no cargo, tendo em especial atenção as matérias em que o episcopado considera que ele contradiz os ensinamentos da Igreja. A notícia foi dada pelo National Catholic Reporter, que refere ter contactado a porta-voz da Conferência Episcopal, que não quis comentar.

O grupo foi criado há cerca de três meses, logo depois da eleição presidencial, no decorrer da última reunião dos bispos. Desde o início, tornou-se motivo de polémica, desde logo pela sua constituição, já que não integrava nem o bispo da diocese de origem de Biden (Delaware) nem o de Washington onde, uma vez empossado, passou a residir.

Mas foi sobretudo por causa da posição do presidente sobre o aborto e sobre as pessoas LGBTQI, assim como quanto à posição a tomar pelos bispos sempre que Biden se apresente para comungar, na missa dominical de que é participante habitual, que o grupo foi criado.

O arcebispo de Washington e agora cardeal Wilton Gregory declarou cedo que nunca recusaria dar a comunhão ao Presidente, argumentando que não pretendia “ir para a mesa tendo uma arma na mesa”. Outros bispos que tomaram idêntica posição disseram recusar-se a instrumentalizar a eucaristia.

O choque veio ao aproximar-se o dia 20 de janeiro, com a posse do novo Presidente. O Papa Francisco enviou mensagem a manifestar vontade de diálogo e colaboração; por sua vez, o presidente da USCCB publicou um comunicado em que reconhecia haver áreas em que a Igreja poderia colaborar com a nova administração, mas usou um tom duro de aviso relativamente às matérias que separam as posições das duas partes. Mal o comunicado saiu, vários bispos, com destaque para o cardeal Cupich, de Chicago, demarcaram-se do tom e da oportunidade de uma tal tomada de posição, tornando evidente e pública a divisão entre os bispos.

Quanto à matéria da eucaristia, o grupo de trabalho propôs que seja elaborado um documento de explicite o ensino da Igreja sobre o assunto, tendo o tema passado para a alçada da comissão da doutrina da fé. Mas vários bispos, de um e outro lado, esgrimiram os seus argumentos. O arcebispo do Kansas, Joseph Naumann, por exemplo, refere, sobre dar ou não a comunhão num caso destes, que “o nosso amém ao receber Nosso Senhor é uma afirmação de que acreditamos e professamos tudo o que a Santa Igreja Católica acredita, ensina e proclama para ser revelado por Deus”. O já citado cardeal de Washington sublinhou que tem certamente as suas discordâncias com Biden, mas prefere avançar pela via do diálogo.

Estas distintas posições não constituem novidade, mas tornaram-se motivo de discussão na praça pública e numa altura crucial do país. Segundo o cardeal Cupich, são “falhas institucionais internas” que “têm de ser abordadas”. Mas é possível que seja mais do que isso.

 

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