
Taur Matan Ruak com os bispos, na assinatura do protocolo: 15 milhões para obras educativas e sociais, entre outras. Foto reproduzida do Facebook.
O primeiro-ministro de Timor-Leste, Taur Matan Ruak, e o presidente da Conferência Episcopal Timorense (CET), o bispo Norberto do Amaral, de Maliana, renovaram um acordo de cooperação que alarga uma cláusula da Concordata entre o país de maioria católica e o Vaticano e que atribui à Igreja Católica a gestão de 15 milhões de dólares (cerca de 14 milhões, 171 mil euros).
A cerimónia decorreu na passada terça-feira, três dias antes desta sexta-feira, 20 de Maio, quando o país assinala os 20 anos de restauração da independência. Segundo o protocolo assinado, metade da verba é para ajudar os serviços educacionais geridos pela Igreja, enquanto outros 25% são para obras sociais. O restante destina-se a fins de gestão e governo eclesiástico (15%) e para a própria gestão do fundo (10%), refere a agência católica asiática UCANews.
“É para mim uma grande honra poder assinalar o 20º aniversário da restauração da independência com a assinatura deste acordo que visa renovar o quadro legal da nossa relação, mas também reconhecer, uma vez mais, os aspectos sociais, culturais e humanitários que a Igreja Católica sempre desempenhou na sociedade timorense”, afirmou na ocasião o primeiro-ministro Taur Matan Ruak.
Esta forma de cooperação é também uma forma de reconhecimento do importante papel da Igreja Católica durante o período de ocupação e de luta pela defesa dos direitos humanos sem concessões, acrescentou Matan Ruak.
O primeiro-ministro sublinhou que a Igreja está presente em todo o país, “em vários serviços educativos e de saúde, no apoio aos necessitados, vulneráveis e desfavorecidos, com grande amor”. E por isso Ruak espera que o acordo possa resultar em “melhorias para o bem-estar” do povo.
Este documento vem na sequência da Concordata assinada em 2015 entre o Vaticano e Timor-Leste durante uma visita do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, em 2015, quando o país celebrou 100 anos de evangelização. A mesma fonte lembra que esse documento estabeleceu o quadro legal para as relações bilaterais entre o Vaticano e Timor-Leste e tornou-se a base para um acordo que abrange um período de cinco anos (2017-2022), que estipulava contribuições anuais, sujeitas à disponibilidade financeira do Governo, para actividades sociais, educação e governação eclesiástica para a Igreja Católica. O montante anual é estabelecido por um acordo separado.
No ano anterior, a verba atribuída – igual à deste ano – foi essencialmente destinada a escolas, incluindo a construção de salas de aula, e assistência social para crianças que não tinham sido cobertas por tal ajuda em anos anteriores.
Timor-Leste tem uma população de 1,3 milhões de habitantes, com 97 por cento deles a considerarem-se católicos.
Padre João Felgueiras: “Contente por ter contribuído alguma coisa”

O padre Felgueiras, que foi para Timor aos 50 anos e fará 10 anos em 9 de Junho, com alunos da Escola Amigos de Jesus, por ele criada. Foto © Carla Araújo.
Um dos rostos do apoio à causa da independência foi o padre jesuíta João Felgueiras, que completará em Junho próximo 101 anos. “Sinto-me português e timorense. Vim para aqui como missionário para trabalhar, enquanto a Companhia de Jesus quisesse e assim foi até agora. Todos contribuímos. O passado foi vivido, e estou contente de ter vivido em paz, não fiz nada contra ninguém, nada de mal contra o povo e estou contente poder ter contribuído alguma coisa”, dizia há dias, em entrevista à agência Lusa, citada em vários meios de comunicação.
Com oito irmãos, incluindo outros dois padres e quatro freiras, o padre Felgueiras dedicou grande parte da sua vida à educação, como já se recordou no 7MARGENS. “Educador infatigável de sucessivas gerações de timorenses, na preservação da nossa identidade nacional e promoção do desenvolvimento cultural do país”, disse dele o actual primeiro-ministro e então Presidente da República, Taur Matan Ruak, quando em 2016 lhe atribuiu a Insígnia da Ordem de Timor-Leste.
Em 2017, concretizou-se o projecto de ampliar a Escola Amigos de Jesus, o grande sonho da sua vida.
João Felgueiras olha de forma positiva para o que tem sido feito no país: “Não estou desiludido. Cada um faz o que pode e acho que os timorenses com o que podem têm feito. As escolas têm trabalhado muito.” E acrescentava: “Problemas dramáticos há em toda a parte, olha agora nos nossos dias o que está a acontecer na Ucrânia, o que acontece na África ou noutros sítios. Aqui temos casas, estradas, edifícios. Estou contente com o que vejo em Timor, desde a fronteira até Tutuala, vejo um progresso grande.”
É essa mudança que Timor também assinala neste 20º aniversário da restauração da independência. Em Díli, o Presidente português está presente nas cerimónias, que incluem a tomada de posse do novo chefe de Estado timorense, José Ramos-Horta, eleito em Abril.









