Bispos e mais de mil padres na Alemanha contestam a negação do Vaticano à bênção das uniões homossexuais

| 17 Mar 2021

Georg Batzing, presidente da Conferência Episcopal Alemã,

Georg Bätzing, presidente da Conferência Episcopal Alemã, afirma que o documento que veta a bênção dos casais homossexuais o entristeceu. Foto: Direitos reservados.

“Benzi casas, carros, elevadores, terços sem conta e muitas coisas mais, e agora não poderei benzer duas pessoas que se amam? Não pode ser essa a vontade de Deus!” Nestas palavras do vigário-geral da diocese de Speyer (Espira), Andreas Sturm, publicadas na página de Facebook da diocese, ressoa muito da desilusão e incompreensão com que vastos sectores da Igreja na Alemanha estão a reagir à tomada de posição da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), do Vaticano, vetando a bênção dos homossexuais na Igreja Católica.

A abertura e a sensibilidade com que a Igreja alemã no seu conjunto encara hoje este tema não é superficial: tem por detrás um longo percurso de reflexão e um esforço de aproximação a todos aqueles e aquelas que, sendo cristãos, se sentiam ignorados e mesmo discriminados no seio da sua Igreja. E a reflexão continua: a revisão da moral sexual é um dos temas do Caminho Sinodal em curso. “Relações em que se vivem valores como amor, amizade, compromisso, fidelidade, serviço recíproco, merecem na moral reconhecimento e respeito, independentemente da orientação sexual das pessoas”, lê-se num dos seus documentos de trabalho. E ainda: “A vala que visivelmente separa a doutrina da Igreja e a vida das pessoas coloca-nos diante da tarefa de continuar a desenvolver a doutrina da Igreja sobre a sexualidade.”

Não é de agora a dissonância existente entre a Igreja alemã e a Cúria Romana sobre a resposta a dar às muitas questões que as pessoas homossexuais levantam à instituição. E ela tem-se feito sentir com certa frequência. Um dos casos mais mediáticos data já de 2018, quando o Vaticano quis vetar a nomeação do padre jesuíta Ansgar Wucherpfennig para reitor da Escola Superior de Filosofia e Teologia St. Georgen, de Frankfurt, uma universidade dos jesuítas frequentada por muitos dos futuros padres e assistentes pastorais de diversas dioceses alemãs.

O reitor Ansgar Wucherpfennig era também o encarregado diocesano da pastoral junto dos homossexuais e defendia claramente a necessidade de levar a sério as uniões homossexuais, propondo que a Igreja lhes dê uma bênção, que de modo nenhum compromete o carácter particular e visibilidade do sacramento do matrimónio. É esta solução que um pouco por todo o lado se vem praticando e que a CDF agora rejeita e proíbe. Imensos protestos obrigaram nesse ano o Vaticano a retroceder e o padre Ansgar Wucherpfennig pôde assumir o cargo de reitor, para um período de três anos entretanto terminados.

Protestos e críticas estão também agora a fazer-se ouvir um pouco por todo o lado e a todos os níveis. O bispo de Limburgo e presidente da Conferência Episcopal, Georg Bätzing, afirmou que o documento o entristeceu. O bispo de Osnabrück, e vice-presidente da conferência, Franz-Josef Bode, criticava: “Respostas simples, já se viu, não encerram questões, antes as reacendem.”

Muitos padres apelam a um simples ignorar da posição de Roma. Uma recolha de assinaturas neste sentido está em curso a nível nacional e já juntou assinaturas de mais de 1000 padres. Tobias Schäfer, um padre da diocese de Mainz (Mogúncia), em mensagem de vídeo, traduzia em poucas palavras a sensação de muitos: “Quando a Igreja acredita que tem de vigiar sobre a aplicação da bênção de Deus, deixa de ser ela mesma bênção para o mundo.”

A sensação é de uma Igreja que, em grande parte, se sente mais uma vez incompreendida no seu esforço de abertura a uma sociedade secularizada e plural, que entende cada vez menos os argumentos da moral da Igreja.

 

Sida: 60% das crianças entre os 5 e os 14 anos sem acesso a tratamentos

Relatório da ONU alerta

Sida: 60% das crianças entre os 5 e os 14 anos sem acesso a tratamentos novidade

O mais recente relatório da ONUSIDA, divulgado esta terça-feira, 29 de novembro,  é perentório: “o mundo continua a falhar à infância” na resposta contra a doença. No final de 2021, 800 mil crianças com VIH não recebiam qualquer tratamento. Entre os cinco e os 14 anos, apenas 40% tiveram acesso a medicamentos para a supressão viral. A boa notícia é que as mortes por sida caíram 5,79% face a 2020, mas a taxa de mortalidade observada entre as crianças é particularmente alarmante.

Gracia Nasi, judia e “marrana”

Documentário na RTP2

Gracia Nasi, judia e “marrana” novidade

Nascida em Portugal em 1510, com o nome cristão de Beatriz de Luna, Gracia Nasi pertencia a uma uma família de cristãos-novos expulsa de Castela. Viúva aos 25 anos, herdeira de um império cobiçado, Gracia revelar-se-ia exímia gestora de negócios. A sua personalidade e o destino de outros 100 mil judeus sefarditas, expulsos de Portugal, são o foco do documentário Sefarad: Gracia Nasi (RTP2, 30/11, 23h20).

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Breves

 

Bahrein

Descoberto mosteiro cristão sob as ruínas de uma mesquita

Há quem diga que este é o “primeiro fruto milagroso” da viagem apostólica que o Papa Francisco fez ao Bahrein, no início de novembro. Na verdade, resulta de três anos de trabalho de uma equipa de arqueólogos locais e britânicos, que acaba de descobrir, sob as ruínas de uma antiga mesquita, partes de um ainda mais antigo mosteiro cristão.

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This