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O Synodaler Weg foi para praticamente todos um tempo de escuta, de debate, de diálogo intenso entre clérigos e leigos. Foto © Synodaler Weg / Marko Orlovic

Última assembleia

Bispos e Vaticano poderão travar modelo mais democrático do Sínodo da Igreja alemã

| 02/02/2026

Terminou o Synodaler Weg (caminho sinodal) da Igreja Católica da Alemanha e a avaliação da maioria dos participantes presentes na sexta e ultima assembleia geral, entre 29 e 31 de janeiro, foi “largamente positiva”. Mas há poucas certezas quanto à concretização de algumas das decisões tomadas e o órgão participativo que deveria monitorar e avaliar a sua aplicação a partir de agora – a Conferência Sinodal – ainda não tem luz verde da Conferência Episcopal e menos ainda do Vaticano.

“Veremos”, comentou o Papa Leão XIV, quando interrogado sobre a matéria, na viagem que fez à Turquia e ao Líbano, há dois meses.  Com tudo em suspenso, estão já previstos contactos com o Vaticano, nas próximas semanas, para dar conta dos resultados destes derradeiros dias de trabalhos sinodais, procurando sensibilizar a Cúria e o Pontífice para a ideia de que aquilo que se fez e quer fazer na Alemanha “está em sintonia” com o caminho de reformas da Igreja, no plano mundial.

Os trabalhos dos últimos três dias do Caminho Sinodal revelaram, no entanto, diferentes entendimentos sobre a natureza do órgão criado. Os debates – acalorados, segundo o site Katolische, da Igreja Católica do país – mostraram divisões em torno do tratamento dos resultados do monitoramento da implementação das resoluções da Assembleia Sinodal, polarizando-se entre aqueles que entendem que a avaliação deve ser anónima, fornecendo orientações de referência às dioceses e os que consideram que deve haver um mecanismo para “atribuir status de implementação específicos a cada diocese”.

O relato que veio a público refere que o cardeal Reinhard Marx sublinhou não desejar que a Conferência Sinodal se torne “uma autoridade suprema que supervisiona os bispos ou interfere nos assuntos diocesanos”. Ao que lhe foi respondido que “não se tratava de interferência, mas de prestação de contas”, um princípio a favor do qual o próprio Marx havia votado [em decisão anterior da assembleia sinodal].

Trata-se, por conseguinte, de decidir entre um modelo de participação, de acompanhamento, avaliação genérica e recomendação e um modelo de monitoramento, prestação de contas e avaliação casuística de cada diocese. Este segundo modelo deixa claramente alguns bispos desconfortáveis, ainda que a maioria deles tenha votado favoravelmente.  E, na medida em que condiciona o poder dos bispos, suscita reservas no Vaticano.

Resta esperar pela assembleia da Conferência Episcopal, que se realiza de 23 a 26 deste mês. Ela tem o assunto agendado e, ao debatê-lo, terá um novo presidente, a eleger no dia 24 de manhã, dado que o bispo Bätzing, que ocupa o lugar desde 2020, já anunciou não se recandidatar. E resta esperar, depois, pelo pronunciamento de Roma, que ouvirá, entretanto, por certo, os representantes dos bispos alemães.

Qualquer que seja o modelo que venha a ser seguido – incluindo uma combinação de elementos de cada um – os participantes na assembleia da última semana congratularam-se com o muito que foi conseguido, tanto no plano nacional como diocesano e paroquial, que pode ser levado à prática nos próximos anos. O Synodaler Weg foi para praticamente todos um tempo de escuta, de debate, de diálogo intenso entre clérigos e leigos, em torno de matérias que têm, direta ou indiretamente, relação com as dimensões sistémicas dos abusos e violências sexuais.

Por isso, os participantes reafirmaram a necessidade de continuar a abordar os abusos sexuais dentro da Igreja” e a procurar, com esperança, transparência e esforço de renovação, “superar as causas sistémicas”. Nesta linha, a Conferência Sinodal agora instituída será “um instrumento” de que a Igreja Católica na Alemanha se dota para “garantir a participação, a transparência e a responsabilização, combater a discriminação e promover a igualdade de género”, como consta dos seus objetivos.

 

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