A Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB, no acrónimo em inglês) enviou no dia 13 de janeiro uma carta aos congressistas que trabalham na revisão orçamental para lhes darem sugestões sobre uma dezena de temas, chamando a atenção para o facto de que “o propósito moral da economia é apoiar a prosperidade das famílias”.
A carta, citada pelo Catholic Culture nesta quinta-feira, 16 de novembro, é assinada pelos cinco bispos que lideram as comissões da USCCB para os leigos, a família e a juventude; a justiça e o desenvolvimento humano; a educação católica; as migrações; e a defesa da vida. Dirige-se ao Congresso que, depois da vitória republicana nas últimas eleições de novembro de 2024, se encontra numa fase de revisão expedita do orçamento de Estado “envolvendo – escrevem os bispos – revisão de impostos e de outras políticas que afetam diretamente a segurança, o bem-estar e o futuro de cada família”.
Famílias que, segundo a carta da USCCB, “lutam diariamente para conseguir enfrentar as suas necessidades básicas”, enquanto “outros desejam formar novas famílias, ou fazer crescer as existentes, mas estão preocupados por não terem condições para tal”. Tendo em conta este panorama do país, os bispos sublinham que “o propósito moral da economia é apoiar a prosperidade das famílias” e pedem aos congressistas que não se esqueçam da família, “especialmente daquelas que enfrentam maiores mais dificuldades”.
As famílias americanas em maiores dificuldades exigem dos congressistas a capacidade de definir uma fiscalidade e políticas sociais públicas que favoreçam 10 áreas para as quais os bispos apresentam várias sugestões: proteção da vida e da dignidade humana; cuidar dos pobres; fortalecer as famílias; fiscalidade progressiva; receitas fiscais adequadas à promoção do bem comum; evitar cortes nos programas de combate à pobreza para equilibrar a receita fiscal diminuída pela redução dos impostos dos mais ricos; incentivar as doações de caridade e de apoio ao desenvolvimento; apoiar as escolhas dos pais quanto à educação dos filhos; favorecer a inclusão de imigrantes e famílias de situação mista; tratar a energia e o meio ambiente de acordo com o conceito de ecologia integral.

Assembleia da Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos: a carta quer influenciar o orçamento. Foto © USCCB.
Sugestões e opções concretas
Para cada uma daquelas áreas, os prelados americanos oferecem aos congressistas não apenas princípios gerais de orientação, mas também opções muito concretas. Por exemplo, no que diz respeito à defesa da vida sublinham o seu incondicional apoio “aos esforços do Congresso para acabar com o subsídio do contribuinte ao maior fornecedor de aborto do país, a Planned Parenthood”, ou, mais à frente, não se coíbem de se exprimir contra a futura política fiscal do Presidente Trump e do Partido Republicano, afirmando: “O sistema tributário deve ser estruturado de acordo com o princípio da progressividade, para que aqueles com recursos financeiros maiores paguem uma taxa de tributação mais elevada”.
A defesa dos mais pobres leva os bispos a sublinhar que “os programas concebidos para apoiar aqueles que são pobres e vulneráveis e tirá-los da pobreza e colocá-los no caminho da plena autossuficiência têm de ser adequadamente financiados” e repudiam que “os legisladores criem uma situação em que os cortes nos programas para os pobres pareçam inevitáveis e necessários, seja no curto ou no longo prazo, para que se tornem possíveis reduções fiscais” favorecendo outros grupos sociais, nomeadamente os mais ricos.
Outro dos campos em que a USCCB afronta diretamente as promessas do Presidente eleito e de grande parte do Partido Republicano é a política relativa aos imigrantes. Depois de recordar a doutrina católica neste campo e de lembrar que “num país fundamentalmente moldado pelas contribuições dos imigrantes, tanto culturais como económicas, não podemos aceitar políticas que excluam injustamente os recém-chegados, especialmente quando continuamos a contar com o seu trabalho e a beneficiar dele”, os bispos deixam um aviso sério: “qualquer legislação apresentada pelo Congresso nos próximos meses para reformar o nosso sistema de imigração, no todo ou em parte, deve respeitar a dignidade inviolável dos imigrantes e das suas contribuições para a nossa nação (…) a USCCB avaliará à luz do Evangelho e do ensinamento da Igreja, caso a caso e cuidadosamente, os méritos específicos de tais projetos de lei.”
Em defesa da escola católica e da liberdade de escolha no campo da educação, os bispos pedem, com grande probabilidade de serem atendidos pela maioria republicana da Câmara dos Representantes, “políticas que deem aos pais acesso a recursos públicos que garantam que eles sejam verdadeiramente livres para escolher a educação que desejam para os seus filhos”. Coisa diversa acontecerá na área da energia e do respeito pelo ambiente para a qual os prelados americanos solicitam algo que está nos antípodas do requerido por vários dos principais financiadores da campanha de Donald Trump: “A descarbonização da economia – através da substituição de combustíveis fósseis por energia segura, confiável, acessível e limpa – deve continuar a ser uma prioridade fundamental.”
“Temos consciência das prioridades contraditórias e as decisões difíceis que terão de enfrentar nos próximos dias”, terminam os bispos, “mas pedimos-vos que busquem o bem comum, ergam aqueles que são mais vulneráveis entre nós e se comprometam num diálogo autêntico uns com os outros”.

Donald Trump e a mulher junto ao monumento ao Papa João Paulo II, em Washington, durante a sua primeira presidência, em junho de 2020: a carta dos bispos inclui temas que estão na linha do Presidente eleito e outros nos antípodas. Foto: Direitos reservados
(Foto de destaque: uma assembleia recente dos bispos dos EUA. Foto © USCCB.)
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