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Bispos espanhóis e alemães escolhem “franciscanos” para presidentes

Bispos espanhóis e alemães escolhem “franciscanos” para presidentes

by | 6 Mar 20

Assembleia plenária da Conferência Episcopal Espanhola, Março de 2020. Foto © Religión Digital

 

“Uma extensão de Francisco à frente da Igreja espanhola”. O título do diário La Razón de quarta-feira, 4, é um exemplo de uma das formas jornalísticas de sinalização da sintonia do novo presidente da Conferência Episcopal de Espanha, o cardeal Juan José Omella, arcebispo de Barcelona, com o Papa. O jornal acrescenta que “o homem forte do Papa Francisco em Espanha” também representa a “corrente preferida” pelo governo socialista de Pedro Sánchez. O vice-presidente do organismo de liderança do episcopado é o arcebispo de Madrid, Carlos Osoro, outro cardeal criado por Francisco. Com uma ou outra reticência, a sintonia da cúpula da Igreja espanhola com Francisco foi um tópico sublinhado por vários jornais.

Juan José Omella, que em Abril completará 74 anos, é arcebispo de Barcelona desde 2015, depois de ter passado por Saragoça, Barbastro-Monzón e ainda pela diocese de Calahorra e La Calzada-Logroño. A imprensa refere que se esforçou por mediar o conflito catalão, encontrando-se com os seus protagonistas de então, ainda que, segundo o La Razón, não tenha conquistado a simpatia de nenhum dos dois sectores. Os nacionalistas catalães não lhe terão apreciado a defesa da Constituição espanhola e o Partido Popular não gostou das críticas que fez às prisões preventivas dos políticos independentistas.

Cardeal Juan José Omella, arcebispo de Barcelona e presidente da Conferência Episcopal Espanhola, eleito em Março de 2020. Foto © Wikipédia

 

Numa primeira votação, os bispos espanhóis colocaram em segundo lugar o franciscano Jesús Sanz Montes, arcebispo de Oviedo desde há cerca de dez anos. Ele (ou o arcebispo de Valência Antonio Cañizares) era o rosto que a ala mais “conservadora” da Igreja espanhola – e particularmente Antonio María Rouco Varela, arcebispo emérito de Madrid, diz o diário El País – gostaria de ver na liderança da Conferência Episcopal.

O diario catalão La Vanguardia referiu a existência de uma campanha contra Juan José Omella, que chegou, inclusivamente, “ao jogo sujo” de enviar a todos os bispos que deviam participar na eleição um livro anónimo intitulado Complô de poder na Igreja espanhola: Barco contra Omella. Em defesa própria. Diz o jornal que a publicação, escrita sob pseudónimo, e a pretexto de defender Miguel Ángel Barco, um padre que teve de deixar o ministério por uma presumível paternidade que ele negou, é, de facto, um ataque a Omella, acusado de provocar a renúncia do arcebispo de Saragoça, Manuel Ureña.

O novo presidente da Conferência Episcopal, que sucede ao cardeal Ricardo Blázquez, arcebispo de Valladolid, pretende recuperar a conexão da Igreja católica com o cidadão comum que tem alergia a entrar numa igreja.

 

Alemanha também muda, mas “Caminho Sinodal” continua

Também a Conferência Episcopal da Alemanha tem um novo presidente: o bispo de Limburgo, Georg Bätzing, que substitui o cardeal Reinhard Marx.

Georg Bätzing, bispo de Limburgo e presidente da Conferência Episcopal Alemã, eleito em Março de 2020. Foto © Wikipédia

 

Também teólogo, Georg Bätzing, de 58 anos, reafirmou o apoio da Conferência Episcopal ao “caminho sinodal”, que está a ser promovido com o Comité Central de Católicos Alemães (Zentralkomitee der Deutschen Katholiken). Formalmente inaugurada na primeira semana do Advento de 2019, a iniciativa, que pretende conduzir a “uma nova coexistência de leigos e bispos na Igreja alemã”, apresentará propostas relativas a temas controversos, como a ordenação de mulheres, o celibato clerical e a sexualidade humana.

Considerado como um dos reformistas do episcopado alemão, Georg Bätzing foi nomeado pelo Papa Francisco como titular de Limburgo em 2016, sucedendo a Franz-Peter Tebartz-van Elst, o polémico prelado que ficou internacionalmente famoso quando se soube que tinha investido 31 milhões de euros na residência episcopal.

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