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Bispos espanhóis querem respeito pela vida dos migrantes em Ceuta

| 18/05/2021

Chegada de migrantes ilegais a Ceuta, a 18 de Maio. Foto: Direitos reservados/via Religión Digital.

 

O Departamento de Migrações da Conferência Episcopal Espanhola (DM-CEE) dos bispos espanhóis encara com preocupação a situação vivida em Ceuta e Melilla, os dois enclaves espanhóis em Marrocos: nesta terça-feira, milhares de migrantes, mais de sete mil segundo várias fontes, atravessaram a fronteira de Marrocos, por terra ou a nado, para chegar a Ceuta e tentar, desse modo, ficar em território da União Europeia.

Num curto comunicado, o bispo José Cobo, auxiliar de Madrid e responsável do DM, e o padre Xabier Gómez, director do mesmo departamento, apelam a que se respeite “o valor supremo da vida e da dignidade humana”. Citado pelo Religión Digital, o comunicado recordando o “desespero e empobrecimento de muitas famílias e menores”, e acrescenta que esse facto “não deve ser utilizado por nenhum Estado para instrumentalizar com fins políticos as legítimas aspirações dessas pessoas”.

Milhares de imigrantes procedentes de território marroquino deambulavam na terça de manhã pelas ruas de Ceuta, como conta o Diário de Notícias a partir dos relatos das agências internacionais. Pelo menos uns 1.500 menores estavam também entre os que atravessaram a fronteira, neste que foi o maior movimento de entrada de migrantes em Ceuta registado até hoje. Muitos deles recorreram a embarcações insufláveis ou treparam as cercas de separação do enclave, com os guardas de fronteira marroquinos a fazer vista grossa.

De acordo com a mesma fonte, o Governo espanhol anunciou, ao final do dia, que já deportara 2.700 pessoas (adultas) para Marrocos, ao mesmo tempo que o primeiro-ministro Pedro Sanchez garantia que o Governo de Espanha terá “a máxima firmeza” para restaurar a normalidade em Ceuta. Para isso, as autoridades espanholas mobilizaram o exército e reforçaram as forças de segurança.

Também o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, disse que a União Europeia (UE) fará “tudo o necessário” para apoiar Espanha em “momentos difíceis” como este. “Ceuta é a fronteira europeia com Marrocos”, pelo que “a UE fará o necessário para apoiar Espanha neste momento difícil”, acrescentou, citado ainda no DN.

“A maior prioridade é evitar que haja mortes de migrantes e devolver a normalidade a Ceuta, gravemente perturbada por estes acontecimentos”, acrescentou o chefe da diplomacia europeia.

De acordo com o DN, que cita a agência espanhola EFE, a maior parte dos migrantes pernoitou em parques ou em lugares que encontrava livres, na cidade que tem 85 mil habitantes. Outros foram colocados no principal estádio de futebol. Os menores estão a ser acolhidos pela Cruz Vermelha e outras organizações humanitárias.

Esta situação pode explicar-se pelo clima de tensão entre Espanha e Marrocos por se ter sabido, nos últimos dias, que o líder da Frente Polisário, Brahim Ghali, está desde meados de Abril em Espanha, a ser tratado num hospital em Logroño.

A Frente Polisário, com o apoio da Argélia, luta há décadas pela independência do Sara Ocidental, inicialmente prometida por Espanha, que era potência ocupante, quando deixou o território à mercê de Marrocos, em 1975. Um referendo prometido a seguir para resolver o problema também nunca se concretizou.

Em 2020, houve 2.228 migrantes a entrar por mar ou por terra em Ceuta, diz ainda o DN. Em 2019, tinham sido 7.899, de acordo com dados do Ministério do Interior espanhol.

 

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