
“A Terra grita – e esses gritos tomaram a forma de altas temperaturas, com recordes a ser quebrados em muitas regiões”, alerta o cardeal Jean-Claude Hollerich. Foto © Comece.
A Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia (Comece) considera, numa mensagem a propósito da COP26, que se inicia neste domingo, 31, em Glasgow (Escócia), que os Estados-membros da UE devem assumir a liderança global no combate às alterações climáticas.
“Limitar o aquecimento global a 1,5 graus centígrados é um profundo imperativo moral”, escreve o presidente da estrutura dos bispos católicos dos países da UE, cardeal Jean-Claude Hollerich.
Na carta dirigida a todos os líderes das instituições europeias que participam na 26.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26), o também arcebispo do Luxemburgo apela à União Europeia que lidere o esforço internacional para “encontrar um caminho” que permita limitar o aquecimento global.
“O mundo ainda não está no bom caminho para alcançar os compromissos do Acordo de Paris”, sobre redução de emissões de gases com efeito de estufa, diz o cardeal, no texto citado pela agência Ecclesia. “Há muito mais a fazer para evitar que as temperaturas globais aumentem mais de 1,5 graus em relação aos níveis pré-industriais.”
“A Terra grita – e esses gritos tomaram a forma de altas temperaturas, com recordes a ser quebrados em muitas regiões; de inundações mortais e incêndios florestais que devastam comunidades em toda a Europa e no mundo; de perda material agravada por traumas sociais e psicológicos”, escreve ainda Hollerich na carta.
Oração especial neste domingo
Também o Conselho Português de Igrejas Cristãs (Copic) apelou a que as celebrações litúrgicas deste domingo incluam uma intenção em relação à Cimeira do Clima que se inicia no mesmo dia em Glasgow, na Escócia.
O Copic apela a que “em todas as Igrejas se eleve uma oração intencional, em momento próprio das celebrações religiosas do próximo domingo, 31 de Outubro e, caso seja possível, tocando sinos e usando as redes sociais para difusão da mensagem”, diz uma nota enviada ao 7MARGENS e publicada na página da instituição.
A organização, que reúne várias igrejas protestantes portuguesas – Evangélica Alemã, Lusitana/Anglicana, Metodista, Presbiteriana – sublinha a “importância e oportunidade da COP26”, onde estarão “mais de 30.000 representantes e líderes mundiais, incluindo religiosos”, a debater a emergência climática. Mas a oração opera e certamente suscitará através da força criadora do Espírito Santo novas acções para a salvaguarda da Criação, a nossa Irmã e Mãe Terra, Casa Comum, acredita o Copic.
O texto da oração proposta pelo Copic é o seguinte:
“Ó Deus, soberano e senhor, criador e conservador da Terra: Tu, que deste aos homens responsabilidade sobre os seus recursos, perdoa-nos o desperdício que fazemos dos teus dons;
ensina-nos a poupá-los e a usá-los rectamente,
ao serviço de todo o teu povo e salvaguarda da Criação. Oramos pela COP26, a Conferência das Partes, e pelos seus responsáveis, para que possam activamente reflectir com sabedoria, dialogar com respeito e tomar as melhores decisões em espírito de solidariedade, para a salvaguarda da Criação que geme, pedindo a nossa acção urgente e conversão de comportamentos. Mediante Jesus Cristo, nosso Senhor. Ámen.”
A COP26, que decorre até 12 de Novembro, terá a participação de grupos religiosos de diversas proveniências. A delegação do Vaticano será chefiada pelo secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin. O Papa Francisco fez, na manhã desta sexta-feira, um apelo na BBC, a que a cimeira seja capaz de “escolhas radicais”, como o 7MARGENS noticia noutro texto.










