Recomendações da CIASE

Bispos franceses lançam grupos de trabalho sobre abusos sexuais

| 31 Mar 2022

A ilustração do artista TVBoy, sobre os abusos sexuais. Foto: Direitos reservados

 

A Conferência Episcopal da Igreja católica de França (CEF) acaba de criar nove grupos de trabalho que visam dar continuidade às recomendações da Comissão Independente que estudou os abusos sexuais nas últimas décadas, naquele país, conhecida pela sigla CIASE.

Os grupos, anunciados no final da assembleia da Conferência, em novembro passado, têm como preocupação comum definir, no prazo de um ano, caminhos e medidas destinadas a combater a violência sexual, agressão sexual, abuso de poder e consciência dentro da Igreja. Cada um deles é composto por leigos (alguns dos quais vítimas de abusos), diáconos, padres e bispos. O coordenador geral é um leigo, profundo conhecedor dos processos de funcionamento eclesiástico, além de um especialista em tecnologias da informação.

Os grupos trabalharão sobre matérias como vocações e formação dos futuros sacerdotes, confissão e acompanhamento espiritual, acompanhamento dos bispos e dos padres nas suas funções, partilha de boas práticas perante casos assinalados, “vigilância e controle” de grupos que levam uma vida comum, análise das causas das violências sexuais. Há ainda um grupo que trabalhará com as congregações religiosas femininas e outro com as masculinas, nos dois casos em colaboração com a Conferência das Religiosas e Religiosos de França (Corref).

A Conferência Episcopal criou um site de caráter didático e informativo que permite saber o que está a ser feito para cumprir as promessas feitas e, ao mesmo tempo, acompanhar os diferentes dossiês, através de consultas pelo que está feito, em curso ou ainda por fazer. O site está disponível para consulta desde 25 de março.

Entretanto, três escolas de teologia parisienses – o Collège des Bernardins, o Instituto Católico de Paris e o Centre Sèvres – juntaram-se para organizar uma série de conferências intituladas “Depois de CIASE, pensando juntos a Igreja”. 

A primeira conferência sobre o tema “Vítimas no centro: reconhecimento, perdão e reconciliação”, aconteceu já em 23 de março, seguindo-se três outras nos próximos meses, em colaboração com a CEF e a Corref. Os temas serão a sinodalidade, poder e função ministerial; antropologia relacional e a questão ética sexual; e uma conferência pelo padre Hans Zollner, membro da Comissão Pontifícia para a Proteção das Crianças.  

Líderes dos bispos espanhóis vão voltar a reunir com o Papa

Em Espanha, as iniciativas sucedem-se, depois de os bispos terem sido pressionados a aceitar a criação de uma comissão independente que estude os abusos sexuais na Igreja, uma mudança na qual teve um papel decisivo o arcebispo de Barcelona, cardeal Juan José Omella, que é também o atual presidente da Conferência Episcopal Espanhola. 

No dia 15 de março, Omella reuniu-se com 15 vítimas de abusos ligados à associação “Infâncias Roubadas” e, nos últimos dias, o site Religion Digital divulgou que a liderança dos bispos espanhóis irá de novo a Roma, provavelmente já na próxima semana, para se encontrar com o Papa Francisco.

Não há ainda dados seguros sobre os objetivos do encontro que é apresentado como uma ocasião para debater “a situação da Igreja em Espanha”, sendo altamente expectável que o tema dos abusos esteja sobre a mesa. 

Segundo dados divulgados pela revista Vida Nueva, que cita o secretário-geral e porta-voz da conferência dos bispos, a Igreja espanhola recebeu 506 denúncias de abuso sexual nos primeiros dois anos depois da criação das comissões diocesanas para a prevenção do abuso infantil. Em 403 dessas denúncias, os acusados ainda estão vivos; todos os casos serão investigados, mesmo que já prescritos.

 

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