
O patriarca Caldeu, Louis Raphael Sako, em junho de 2020, numa igreja destruída pelos terroristas do Isis: os bispos católicos caldeus querem a comunidade internacional mais empenhada em acabar já com o conflito em Gaza. Foto © ACN.
Os bispos caldeus do Iraque insistiram numa solução de dois Estados em que Israel e a Palestina possam viver em paz e segurança. Numa declaração emitida no encerramento do seu recente Sínodo anual, os bispos iraquianos expressaram a sua profunda preocupação com os muitos conflitos que assolam o Médio Oriente, especialmente na Terra Santa.
Num momento em que a guerra em Gaza ameaça expandir-se e incendiar todo o Médio Oriente, com os rebeldes Houthi no Iémen e as Forças de Defesa de Israel (IDF) a trocarem ataques com mísseis, os bispos condenaram “todas as formas de violência”, exortaram a comunidade internacional a defender sempre a paz e a empenhar-se ativamente para pôr termo imediato a este conflito devastador.
Segundo estes religiosos, a única solução viável para o conflito israelo-palestiniano, que dura há décadas, é a criação de dois Estados vizinhos que vivam “em paz, segurança, estabilidade e confiança mútua”. Esta posição é fortemente defendida, de igual modo, pela Santa Sé, mas tem a firme oposição do atual governo israelita, especialmente depois dos ataques terroristas do Hamas de 7 de outubro.
A declaração centrou-se ainda nas comunidades cristãs que vivem na região. No que diz respeito especificamente ao Iraque, os bispos caldeus lamentaram a “agonia” dos cristãos, “enraizados nesta terra”, que, segundo eles, “sofreram muito nas últimas duas décadas” com a privação dos seus direitos, a marginalização, a exclusão e a apreensão ilegal das suas propriedades e bens. Recordaram, também, que esta situação e os abusos em curso obrigaram muitos deles a emigrar em busca de uma vida melhor.
Os bispos apelaram, por isso, ao governo iraquiano para que “seja justo na valorização dos cristãos” através da “criação de confiança, do reforço da cooperação nacional e do aproveitamento das suas capacidades para o desenvolvimento do país”.
Mais uma vez, o Sínodo apelou às autoridades iraquianas para que garantam aos cristãos os mesmos direitos políticos e civis de todos os cidadãos iraquianos: “Exigimos que os seus direitos sejam plenamente respeitados como cidadãos com igual representação e emprego, e recusamos o confisco das suas propriedades” por alguns grupos que reivindicam os seus direitos exclusivos, menciona a declaração, citada pelo portal de notícias do Vaticano.
O Sínodo manifestou a esperança de que o governo, juntamente com os partidos oficiais e políticos, dê “passos concretos na construção da paz e da estabilidade, implementando a lei e a justiça, restaurando a unidade nacional, reforçando o conceito de cidadania e fornecendo serviços públicos adequados para garantir uma vida decente a todos os cidadãos”, também “dando prioridade aos interesses do povo iraquiano e não a quaisquer interesses sectários limitados”.
Relativamente ao futuro dos cristãos na região, os bispos caldeus fizeram eco do apelo do Patriarca Sako à unidade e à solidariedade entre eles: “A principal coisa que nos deve unir é a nossa fé e a nossa terra”, afirmaram.
Expressando a sua “simpatia fraterna para com os bispos dos países vizinhos”, os bispos observaram “que a Igreja precisa de uma nova visão do futuro”, bem como de “passos práticos corajosos, para estabilizar os cristãos na sua terra, preservando a sua identidade, e também para reforçar o seu papel e presença” na sociedade.
“A unidade é a nossa força e a nossa salvação”, observaram. “Apesar das feridas, continuamos a amar os nossos países e os nossos cidadãos, e gostaríamos de cooperar com eles na difusão de uma cultura de convivência, respeitando as diferenças dos outros e consolidando a esperança, no seio de uma sociedade justa e civil”, conclui o documento.










