
Antes da sua partida para Lisboa, também os jovens participantes da Jornada Mundial da Juventude foram convidados a plantar algumas árvores nativas irlandesas em Dublin. Foto © Jane Mellett, via CNA.
Inspirados pela encíclica Laudato Si’ e pelas conclusões da COP15, os bispos católicos irlandeses traçaram uma meta para todas as dioceses do seu país: devolver 30% dos terrenos da Igreja à natureza até 2030. Os trabalhos para que este objetivo seja cumprido já arrancaram, avança a Catholic News Agency (CNA).
A primeira tarefa sugerida a todas as paróquias pelo Grupo de Trabalho Laudato Si’ (LSWG, na sigla inglesa) da Conferência Episcopal Irlandesa é o mapeamento e avaliação de todos os seus terrenos, incluindo as áreas verdes que existem em redor da maioria das igrejas.
Um dos objetivos é tornar parte do território da Igreja “um refúgio para polinizadores e biodiversidade”. Para isso, o LSWG sugere que as comunidades paroquiais planem bolbos amigos dos polinizadores, instalem um hotel para abelhas, criem um viveiro de árvores, semeiem arbustos e canteiros de flores, promovam fontes alternativas de energia ou organizem um sistema de reciclagem.
Antes da sua partida para Lisboa, também os jovens participantes da Jornada Mundial da Juventude foram convidados a plantar algumas árvores nativas irlandesas em Dublin.
“Um primeiro passo incrível”
Em entrevista à CNA, Ciara Murphy, que trabalha como defensora da política ambiental no Centro Jesuíta para a Fé e Justiça em Dublin, considera a iniciativa dos bispos como “um primeiro passo incrível”.
“Parece uma tarefa simples, mas na verdade é uma iniciativa muito importante porque há muito foco nas emissões e no clima, mas esta iniciativa centra-se especificamente na crise da biodiversidade”, explica considerando que os bispos irlandeses “estão a demonstrar uma liderança muito boa, propondo algo que as paróquias e as comunidades podem realmente apoiar”.
Ciara Murphy acrescenta que já “há muitos exemplos em toda a Irlanda onde as pessoas fizeram mudanças”, como o de uma igreja “onde, em cada batizado e em cada casamento, os pais são presenteados… com uma árvore para plantar em sua casa”.
“E não se trata apenas de administrar o terreno”, acrescenta Murphy. “Pode ser também uma espécie de exercício espiritual trabalhar no jardim, trabalhar na natureza, tentando fomentar algo melhor a partir do que havia ali.”
“Na Laudato Si’ fica muito claro que o cuidado ambiental não é uma opção, é parte integrante da nossa fé”, afirma ainda, lembrando que a defesa do ecossistema “é um bom espaço para unir os grupos da biodiversidade e os grupos paroquiais . É uma ótima maneira de construir comunidades e comunicação”, conclui.









