
O cardeal Zuppi garantiu que a Igreja italiana “continuará a indicar, com severidade, se necessário, a defesa dos direitos invioláveis da pessoa e da comunidade”. Foto © CEI.
O presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), cardeal Matteo Zuppi, apelou aos vencedores das eleições legislativas no país, vistos como hostis a grande parte da agenda social do Papa, que exerçam o seu mandato como uma “alta responsabilidade, ao serviço de todos, começando pelos mais débeis”, nomeadamente os migrantes. Numa declaração publicada esta terça-feira, 27, no site da CEI, o também arcebispo de Bolonha fez questão de assegurar que a própria Igreja continuará a defender o bem comum com “severidade”.
O partido mais votado, Irmãos de Itália, de extrema-direita, tem como lema “Deus, Pátria e Família”. A sua líder, Giorgia Meloni, uma admiradora assumida do ditador Benito Mussolini, manifestou-se diversas vezes ao longo da campanha contra os imigrantes em situação irregular e fez apelos à proteção da “identidade italiana”. É, assim, expectável que pretenda reforçar a defesa das fronteiras e bloquear a chegada de barcos com migrantes oriundos da África e Médio Oriente.
Mas, no seu comunicado, Zuppi sublinhou a necessidade de “acolhimento, proteção, promoção e integração dos migrantes” e chamou a atenção para outros problemas nacionais prementes a que os novos governantes deverão prestar atenção: taxas de pobreza continuamente crescentes, diminuição da natalidade, necessidade de cuidado e proteção aos idosos, acentuada disparidade entre o norte e o sul do país, elevados níveis de desemprego, especialmente entre os jovens, e a crise ambiental e energética.
A Igreja em Itália, garantiu, “continuará a indicar, com severidade, se necessário, o bem comum e não os interesses pessoais; a defesa dos direitos invioláveis da pessoa e da comunidade”.
Zuppi manifestou-se ainda preocupado com o elevado número de abstenções, afirmando que “a Itália precisa do compromisso, responsabilidade e participação de todos”.
A 21 de setembro, poucos dias antes das eleições, os bispos italianos haviam emitido outro comunicado, apelando “aos eleitores, aos jovens, aos que perderam a fé nas instituições e aos próprios representantes que serão eleitos para o Parlamento” que fossem “próximos e solidários com aqueles que sofrem e procuram respostas para os muitos problemas quotidianos”.
“Somos chamados a discernir as várias propostas políticas à luz do bem comum, livres de qualquer ganho pessoal e atentos apenas à construção de uma sociedade mais justa, que recomece do ‘menor’ e, portanto, possível para todos, e hospitaleira”, escreveram os bispos. “Há uma necessidade generalizada de comunidades, a serem construídas e reconstruídas nos territórios da Itália e da Europa, com os olhos abertos para o mundo, sem deixar ninguém para trás.”










