Na abertura da assembleia da CEP

Bispos reconhecem que podem acompanhar melhor as vítimas de abusos

| 13 Nov 2023

Bispo José Ornelas na abertura da 206ª assembleia plenária da CEP, 17 de abril de 2023. Foto © Agência Ecclesia

“No meio da dor profunda de enfrentar com clareza as situações de abuso, cada vez fica mais claro que a verdade liberta, que o bem das vítimas e sobreviventes é a prioridade”, afirmou o bispo José Ornelas. Foto © Agência Ecclesia

 

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), José Ornelas, abriu esta segunda-feira, 13 de novembro, a assembleia plenária daquele organismo, com “um profundo, sincero e humilde de perdão” dirigido às vítimas de abusos no seio da Igreja portuguesa, tendo depois reconhecido que “é possível melhorar, passo a passo, no modo de agir, olhar, escutar, reparar e acompanhar” essas mesmas vítimas.

“No meio da dor profunda de enfrentar com clareza as situações de abuso, cada vez fica mais claro que a verdade liberta, que o bem das vítimas e sobreviventes é a prioridade”, afirmou Ornelas no discurso de abertura da assembleia do episcopado português, que decorre em Fátima até à próxima quinta-feira, 16 de novembro.

Poucos dias depois de a CEP ter recebido uma carta aberta da parte da associação de vítimas de abusos Coração Silenciado, cujos signatários se manifestavam indignados face à “inação” dos bispos após a apresentação do relatório da Comissão Independente e diziam continuar à espera de “um pedido de perdão humilde e sincero” da parte dos mesmos, Ornelas afirmou que o gesto do Papa Francisco, ao ter-se encontrado com algumas das vítimas quando esteve em Portugal para a JMJ Lisboa 2023, “é uma luz orientadora para a Igreja” e assegurou que há “total disponibilidade” da parte dos bispos para outros gestos que permitam “chegar às pessoas que passaram por esta dura experiência”.

Referindo-se ao Grupo VITA, o também bispo de Leiria-Fátima assinalou que o mesmo iniciou a sua ação no passado mês de abril e afirmou que esta se “tem mostrado relevante e eficaz, com benefício direto para dezenas de pessoas que aí encontraram um espaço seguro e confidencial para denúncia e um apoio importante para o difícil processo de cura reparadora”.

Quanto às Comissões Diocesanas, foram “refrescadas na sua composição” e têm estado a “amadurecer a sua atuação”, acrescentou ainda.

 

As guerras lá fora e as crises internas

Ao longo do seu discurso, o presidente da CEP manifestou também que uma das grandes preocupações dos bispos portugueses é a “proliferação de conflitos e guerras, um pouco por todo o mundo”, referindo-se em particular à “bárbara invasão da Ucrânia” e à “nova e cruenta guerra entre Israel e o Hamas”.

“É preciso dizer que não vale tudo, nem mesmo na guerra, que não se podem usar vidas inocentes como reféns, como escudos ou como objetos de represália e de vingança”, referiu Ornelas, e acrescentou: “É preciso parar, antes de somar novas razões aos ódios e agravos já presentes que só levam a maior destruição e morte”.

Mas as guerras “não podem fazer esquecer os dramas do país”, alertou o representante do episcopado português, para logo a seguir elencar alguns deles: “as famílias que acordam sem saber como alimentar os filhos ou pagar a renda e aquelas que nem sequer têm teto para descansar, os doentes que veem distantes os cuidados médicos essenciais, os adolescentes e jovens que, com frequência, não conseguem o necessário acompanhamento nos percursos escolares, e os jovens formados que emigram para encontrar perspetivas de uma vida mais digna”.

Uma situação que, acrescentou José Ornelas, é agora agravada pela “crise surgida nos últimos dias no seio do governo” e se torna “campo fértil para manipulações e messianismos populistas que minam os fundamentos de uma autêntica democracia”.

Por isso, e apesar de reconhecer que “o panorama é difícil”, o presidente da CEP defendeu que “é fundamental que não nos deixemos abater e vencer pela apatia”, lembrando que “este momento é quando é mesmo necessário participar, seja na atividade direta e ativa na vida política, seja no elementar direito e dever de votar”.

E concluiu: “Sim, o panorama em que nos encontramos comporta muitos desafios, dificuldades, percursos tortuosos e dolorosos. Mas tem igualmente possibilidades e dispõe de meios que é necessário utilizar, com responsabilidade, honestidade e criatividade, para o desenvolvimento do país e para garantir a todos uma vida justa e digna”.

A situação social do país e das instituições de solidariedade social da Igreja e o ponto da situação da proteção de menores e adultos vulneráveis são dois dos temas em agenda daquela que é a 208ª Assembleia Plenária da CEP. Serão ainda objeto de reflexão o relatório síntese resultante da assembleia geral do Sínodo dos Bispos e o seguimento dado nas dioceses e na CEP à Jornada Mundial da Juventude.

 

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