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Bispos preocupados com “paróquias insolventes” e sustentabilidade das IPSS

| 16/04/2021

foto CEP 1, bispos

Bispos admitem que há já paróquias “insolventes do ponto de vista da sua administração local” e estão apreensivos com a sustentabilidade de muitas IPSS. Foto © Agência Ecclesia/OC.

 

Os bispos portugueses admitem que há já paróquias “insolventes do ponto de vista da sua administração local”. Ao mesmo tempo, estão apreensivos com a sustentabilidade de muitas IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social), considerando que muitas delas devem contar “com o apoio logístico e financeiro do Ministério da Saúde”, além do do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

Neste último caso, a preocupação dos bispos tem a ver sobretudo com os lares de idosos, explicou o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP). No final da assembleia plenária, que decorreu desde segunda-feira, 12, em Fátima, o também bispo de Setúbal, José Ornelas, disse que aqueles equipamentos sociais “estão a tornar-se, praticamente, casas de cuidados paliativos”.

Ali se albergam “pessoas cada vez de maior idade” portadoras de debilidades mentais ou físicas. Os lares acabam por se tornar “casas de cuidados paliativos”, afirmou o bispo, na conferência de imprensa realizada na tarde desta quinta-feira, 15 de Abril.

O problema não se resume às instituições católicas, disse ainda D. José, mas foi sentido “particularmente no contexto da pandemia”. E exemplificou que as regras sanitárias provocaram “necessidades acrescidas também de financiamento”, com a compra de equipamentos de protecção individual, por exemplo.

Por isso, estas instituições precisam que o Estado olhe para elas, pois os contributos que recebem do Estado não se reflectem na evolução sofrida: “O apoio necessário ficou muito aquém” do que era preciso. Defendendo que o Ministério da Saúde tem também de entrar na equação, considerou que essa abordagem é “crucial para o futuro de uma correcta assistência aos cuidados paliativos e continuados no contexto do país”.

 

“Acréscimo muito grande de pedidos de auxílio”

Sobre a situação das finanças das instituições católicas, o presidente da CEP afirmou que à insolvência das paróquias se juntam situações em que já não é possível ou é difícil assegurar a remuneração de alguns párocos.

“Tenho situações concretas onde, para garantir uma remuneração às pessoas que estão ao serviço das comunidades, o pároco e não só, temos muita dificuldade”, afirmou. A situação “piorou” com a pandemia e só não é mais grave por causa da “solidariedade interparoquial e diocesana, que procura ir ao encontro destas situações”.

O bispo de Setúbal admitiu que a CEP ou as 20 dioceses do país não têm um levantamento da realidade a este nível, até pelo atraso em ter prontos relatórios de contas. Esse conhecimento, esclareceu, surge a partir dos contactos pessoais.

Tal realidade não põe em causa o funcionamento das instituições católicas de solidariedade, assegurou, que têm tido “um acréscimo muito grande de pedidos de auxílio” para pagar despesas com as rendas de casa, a água ou a luz. Todos os indicadores dizem que a situação “vai agravar-se com o fim das moratórias”; por isso, em muitos sectores, a realidade “não vai melhorar” no imediato.

Sobre a questão das vacinas, que domina neste momento as políticas de combate à covid-19, o presidente da CEP afirmou que “precisamos de pensar, sentir e agir a nível mundial”.

Respondendo a uma pergunta do 7MARGENS, sobre se a CEP defende, como o Papa Francisco, a suspensão das patentes para que se possa massificar a produção de vacinas, o bispo Ornelas afirmou: “Se ficar um país para trás, isso vai-nos custar caro no futuro. (…) Se aprendemos alguma coisa [com a pandemia], é que não queremos voltar ao que era dantes.” E, referindo-se a Portugal, disse que se o Serviço Nacional de Saúde já foi melhorado, ele precisa ainda de “uma atenção maior”.

 

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