A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) considera que o centenário do Dia Mundial das Missões, que a Igreja celebrará no próximo dia 18 de outubro, deve ser ocasião para renovar o compromisso missionário e reconhecer que a missão não acontece apenas em terras distantes. “Portugal é também, hoje, terra de missão”, afirmam os bispos numa mensagem divulgada por ocasião dos cem anos da celebração.
Instituído pelo Papa Pio XI em 1926, o Dia Mundial das Missões tem ajudado as comunidades cristãs a “rezar, a refletir e a sustentar concretamente a missão evangelizadora da Igreja”, de modo particular junto das Igrejas mais jovens e nos territórios de primeira evangelização, recordam os bispos.
A CEP começa, assim, por manifestar gratidão pelos missionários e missionárias que, ao longo de um século, deixaram as suas terras para anunciar o Evangelho e partilhar a vida de outros povos, sublinhando ao mesmo tempo que “a missão não pertence a alguns especialistas: faz parte da própria identidade da Igreja”.
A mensagem, assinada em Fátima a 1 de outubro (data em que a Igreja assinala a Memória de Santa Teresa do Menino Jesus), sublinha que a missão continua a incluir o apoio às Igrejas jovens e aos territórios onde o primeiro anúncio cristão permanece necessário, mas chama a atenção para uma mudança na “geografia da missão”.
“Hoje, a missão passa pelas nossas cidades, aldeias, escolas, universidades, famílias e lugares de trabalho”, escrevem os bispos, apontando também para as pessoas que se afastaram da fé, para as novas gerações que já não receberam o anúncio cristão e para o encontro quotidiano com pessoas de diferentes culturas e tradições religiosas.
“Não se trata de olhar para esta realidade com medo. Trata-se de reconhecer nela um apelo”, afirma a CEP. “Portugal é também, hoje, terra de missão.”
“Gerar na fé”
Para os bispos portugueses, este desafio exige comunidades capazes de “sair de si mesmas, de acolher, de escutar, de dialogar e, ao mesmo tempo, de anunciar com simplicidade e convicção o nome de Jesus Cristo”.
A missão, acrescentam, “não procura conquistar espaços nem aumentar números”, mas nasce de um encontro com Cristo que transforma a vida e leva os cristãos a partilhar aquilo que receberam.
A CEP cita, neste contexto, o Papa Leão XIV, que tem insistido na necessidade de “gerar na fé”, em vez de limitar a formação cristã à transmissão de doutrina, normas ou competências religiosas. A vida cristã, afirma a mensagem, transmite-se “no seio de uma comunidade viva”.
Evangelizar significa, neste horizonte, “fazer acontecer Jesus na vida das pessoas”, permitindo que descubram que são amadas por Deus e acompanhando-as até que o Evangelho se torne “princípio de vida”, acrescenta o texto.
A Conferência Episcopal recorda ainda o apelo de Leão XIV para que a Igreja renove “o fogo da vocação missionária” e entre numa “nova era missionária”, considerando que este desafio se dirige às dioceses, paróquias, comunidades, movimentos, famílias, consagrados e leigos. “Todos somos enviados”, sublinha a mensagem.
Neste centenário, os bispos portugueses agradecem o testemunho dos missionários e missionárias portugueses espalhados pelo mundo, recordam aqueles que deram a vida pela missão e manifestam apoio às Obras Missionárias Pontifícias e às iniciativas de cooperação entre Igrejas.
Mas deixam também uma pergunta às comunidades cristãs portuguesas: “quem espera hoje que lhe anunciemos Jesus Cristo?”
“Que o centenário do Dia Mundial das Missões não seja apenas a celebração de uma história fecunda. Que seja o início de um novo impulso”, conclui a mensagem.










