Na sequência de carta aberta

Bispos reúnem com associação de vítimas de abusos a 14 de janeiro

| 22 Dez 2023

José Ornelas, Manuel Barbosa, Virgílio Antunes, Conferência Episcopal Portuguesa

O bispo José Ornelas, o padre Manuel Barbosa e o bispo Virgílio Antunes, que constituem a direção da CEP, vão finalmente reunir com os fundadores da associação de vítimas de abusos Coração Silenciado, no próximo dia 14 de janeiro. Foto © António Marujo/7MARGENS

 

Passados quase dois meses do envio de uma carta aberta à Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), manifestando indignação face à inação dos bispos em relação às vítimas de abusos, a associação Coração Silenciado viu finalmente ser agendada uma reunião com a presidência daquele organismo. António Grosso, Cristina Amaral e Filipa Almeida – fundadores da associação e eles próprios sobreviventes de abusos sexuais no contexto da Igreja – serão recebidos no dia 14 de janeiro, em Fátima, pelos bispos José Ornelas e Virgílio Antunes e pelo padre Manuel Barbosa, que constituem a direção da CEP.

A notícia foi confirmada esta sexta-feira, 22 de dezembro, ao 7MARGENS por António Grosso, o qual adiantou que a associação aproveitará o encontro para “insistir nas duas questões fundamentais cujas respostas já tardam: a das indemnizações e a das prescrições”.

“Já era mais do que tempo de [os bispos portugueses] terem feito um plano de indemnizações, fosse em conjunto com o Estado ou não, para de alguma forma compensar as vítimas. Têm tantos exemplos a seguir, desde os Estados Unidos e do Canadá à Austrália, passando pela França ou pela Espanha… Em todos esses países, a Igreja está a pagar indemnizações às vítimas, aqui andam só a pagar consultas e comprimidos”, sublinha António Grosso.

Quanto ao tema das prescrições, o co-fundador da Coração Silenciado diz não compreender “como é que a Igreja, que se rege pelas leis de Deus, continua, na prática, a aceitar que um abusador tenha o seu crime prescrito”. “D. Ornelas diz que essa é uma questão jurídica, mas ele devia, antes disso, reger-se pelas questões religiosas. E, para a Igreja, aquilo que era pecado há 50 anos, continua a ser pecado hoje”, assinala.

Considerando que o encontro com os representantes da CEP “já deveria ter acontecido há mais tempo” e lamentando que a iniciativa não tenha partido dos próprios bispos e sim da associação de vítimas, António Grosso confessa que vai para este encontro – marcado para dia 14, às 16 horas, na Casa de Nossa Senhora do Carmo – “sem grandes expetativas”. “Em fevereiro deste ano, disseram que pediam perdão e que iam proceder à reparação dos erros, mas até agora não repararam nada… E tendo em conta aquelas que têm sido as declarações de D. Ornelas, o mais sensato é não esperarmos muito desta reunião”, conclui.

 

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