Boas notícias do tempo que passa

| 21 Dez 20

“Andamos todos ávidos de os poder dar com entrega plena”. Escultura “Abraço” de Alfredo Ceschiatti, Museu de Arte da Pampulha – Belo Horizonte. Foto: Jani Pereira / Wikimedia Commons

 

Estava a preparar-me para escrever este texto e a pensar que gostaria de dar boas notícias. Isto, porque faltam poucos dias para comemorarmos o aniversário Daquele que veio até nós para nos animar, salvar e mostrar que a esperança acompanha o ser humano nesta viagem a que chamo existir por aqui.

Eis senão quando me entrou um e-mail justamente com o anúncio do que eu procurava. Gostei do que li e decidi fazer uma seleção para aqui partilhar.

Escrevi, escrevi e, após algumas “voltas”, consciencializei que o que estava escrito eram “apenas” descobertas científicas sem sumo e ainda em projeto na sua maioria, talvez mobilizadas por interesses duvidosos que, no fim de tudo, poderiam inverter a prometida evolução e o sentido que lhes queria dar.

Desisti prontamente de as partilhar e, do manancial humano que recheia os meus dias, pude recordar boas novas das mais chegadas semanas. De facto, não foi preciso andar quase tempo nenhum para trás.

Aqui ficam e estas, sim, são de mulheres e homens concretos que, à semelhança de tantos outros, pensam, sentem e agem nos momentos que passam:

  • Em tempos indubitavelmente adversos, as pessoas reconhecem que, por mais que estejamos a lutar pela vida, não estamos em guerra e sentem-se gratas por isso;
  • Os jovens estão tristes por não poderem conviver tanto, mas começam a perceber que têm muito mais futuro do que passado e que, ainda que não vivam cada ano no ano próprio, vão poder viver tudo o que quiserem, assim persistam na ação e na confiança;
  • Nunca fomos tão semelhantes como na atualidade. As atuais circunstâncias puseram fim às exibições e aos desfiles de egos, salvo raras exceções, apenas desempenhadas por quantos sobrevivem de perversidade e de invenções;
  • As invisíveis estatísticas, não mensuráveis com objetividade, traduzem um aumento de humildade per capita;
  • A criatividade humana, obnubilada tantas vezes pelo stresse e pelo cansaço, começou a sair à rua e a cruzar-se com iniciativas, que se têm revelado autênticos pequenos tesouros para a humanidade. É certo que há aqueles que dizem que nunca percorrerão os caminhos já trilhados, uma vez que eles conduzirão onde outros já chegaram. Talvez esta premissa seja a tradução de falta de humildade, a que, agora, todos temos de aceder e, por isso, temos vindo a crescer nela. Não faz mal não ser original no que se faz. O que importa mesmo é ser inovador na forma de o fazer;
  • O abraço, a tão incrível força que nos dá saúde, autoestima, alento, segurança, sentimento de sermos protegidos e de protegermos, havia caído numa banalidade que, só em momentos excecionais, parecia ser devidamente valorizado. Agora voltou ao patamar do desejo e da consciência do seu papel e da sua missão. Andamos todos ávidos de os poder dar com entrega plena.

 

Enfim, não estaremos a dar novidades, mas, com certeza, vamos percebendo que, afinal, as melhores notícias estão ao alcance de quase todos os homens, assim sejam sentidas e investidas por eles.

Sabemos que é absolutamente imprescindível identificar boas novas no tempo que passa. Por isso, mais do que listar o que se tem vindo a conseguir fazer, aqui me proponho identificar aquilo que devemos conseguir sentir, para nos autorregularmos através da perceção verdadeira e autêntica do nosso ser.

William Shakespeare dizia: “O tempo é muito lento para os que esperam; (…) muito longo para os que lamentam, muito curto para os que festejam. Mas, para os que amam, o tempo é eternidade.” Afinal, parece que o amor tem na mão a chave para que restemos bem onde quer que estejamos.

Assim falava Nietzsche: “Sempre há um pouco de loucura no amor. Porém, sempre há um pouco de razão na loucura.” É desta loucura sã que todos precisamos de enfermar na atualidade adulterada e sem previsibilidade, na qual estamos a ser chamados a desfilar.

Pearl Buck afirmava que muitas pessoas perdem as pequenas alegrias enquanto aguardam a grande felicidade. Hoje sabemos que a vida não espera e que o tempo não pára. Por isso procuremos os exemplos de quem só quer mais um hoje para poder bem sentir.

E, para terminar, partilho que um dia encontrei uma história bem curta de um autor desconhecido que dizia mais ou menos isto. Um conferencista, com um copo de água na mão, comentava: não importa o peso absoluto deste copo. Depende de quanto tempo vou segurá-lo. Se o segurar um minuto não acontece nada. Se o segurar um dia inteiro, vão ter de chamar uma ambulância. O peso é exatamente o mesmo, mas quanto mais tempo ficar a segurar o copo, mais pesado vai ficar. Se carregarmos os nossos pesos muito tempo, mais tarde ou mais cedo não seremos capazes de continuar, porque a carga vai-se tornando cada vez mais pesada. É preciso deixar o copo e descansar um pouco antes de o segurar novamente. Temos de deixar, periodicamente, a carga de lado. Isto alivia-nos e torna-nos capazes de continuar. Esta é a forma de aproveitar a vida.

Esta é a forma de viver este Natal.

 

Margarida Cordo é psicóloga clínica, psicoterapeuta e autora de vários livros sobre psicologia e psicoterapia.

 

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Comentário

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