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Protestos em Pádua

Bolsonaro forçado a cancelar visita à basílica de Santo António

| 01/11/2021

Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. Foto © Alan Santos

 

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, cancelou nesta segunda-feira a visita que tinha prevista à Basílica de Santo António, em Pádua (Norte de Itália), depois de pelo menos meio milhar de manifestantes ter contestado essa possibilidade, com a polícia a tentar dispersá-los.

Depois de ter recebido a cidadania honorária na pequena cidade de Anguillara Veneta, também na região do Véneto, Bolsonaro tinha previsto visitar a Basilica del Santo, onde se guardam as relíquias de Santo António. Mas os protestos dos manifestantes, aos gritos de “Fora, Bolsonaro” levaram ao cancelamento.

Os frades franciscanos da basílica e a própria diocese também já se tinham mostrado contra a ida do Presidente brasileiro, dizendo que ele não seria recebido oficialmente por ninguém, embora não fosse impedido de entrar como qualquer outra pessoa.

O portal de notícias Open Online fala de relatos de que Bolsonaro tinha sido levado para um hotel em Pádua, depois dos protestos e de o Presidente brasileiro ter sido desafiado por manifestantes organizados logo depois da sua chegada à cidade.

A mesma fonte regista que a polícia tentou dispersar os manifestantes com canhões de água, mas foi atacada por uma chuva de objectos.

Em Anguillara Veneta, a presidente da câmara Alessandra Buoso, eleita pela lista Cambiare Si Può, tinha sido muito criticada nos últimos dias pela decisão de atribuir a cidadania honorária a Bolsonaro e, na manhã de segunda-feira, cerca de 200 manifestantes concentraram-se em protesto diante do palácio municipal, à espera do Presidente brasileiro. Este foi responsabilizado pelo Parlamento do seu país por crimes contra a humanidade, por causa das mais de 600 mil vítimas de covid-19 que o país já conta, número que muitos consideram se deve sobretudo à sua política errática na gestão da pandemia e à sua oposição às vacinas.

“A cidadania [honorária] é inadequada porque as posições de Bolsonaro não reflectem os valores da nossa Constituição”, afirmou Antonio Spada, conselheiro municipal da oposição, que votou contra a proposta de Buoso. “Não concordamos com o que ele pensa dos homossexuais, das mulheres, da Amazónia, uma terra que deve continuar a ser propriedade de todos.”

Alguns brasileiros de diferentes zonas do Véneto estiveram em Pádua, mas para manifestar o seu apoio ao Presidente. “Fui obrigado a vir para Itália porque havia corrupção no Brasil”, disse à agência Ansa Diene Matias, citada pela mesma fonte. “Defendo Bolsonaro, estou aqui para o saudar e dar-lhe as boas-vindas.” E acrescenta, sobre um dos temas em que ele mais tem sido criticado: “A história sobre a Amazónia não é verdadeira, ele não realizou qualquer desflorestação, é preciso vê-la com os próprios olhos para a perceber.” E ainda: Bolsonaro nunca utilizou dinheiro público para o seu próprio negócio e não é contra as vacinas.”

 

“Bolsonaro faz o que quer na Amazónia”

Já o padre comboniano Massimo Ramundo, que esteve 20 anos no Brasil, 12 dos quais na Amazónia, não vê o cor-de-rosa do Presidente: “A política de Bolsonaro vai contra tudo o que o Papa Francisco professa diariamente.” Trabalhando agora em Verona na revista Nigrizia, dos combonianos (equivalente da portuguesa Além-Mar), Ramundo esteve também em Anguillara contra Bolsonaro. “O Presidente não se ocupa da defesa das minorias, a começar pelos índios amazónicos. Pelo contrário, bloqueou o financiamento para a construção de habitações sociais nas zonas mais pobres do país”. Por contraste, o Papa Francisco “nunca deixa de nos recordar a sua importância como bem comum, enquanto Bolsonaro faz o que quer na Amazónia”.

Nesta terça-feira, o líder da extrema-direita italiana, Matteo Salvini, encontra-se com Bolsonaro na Toscânia, para homenagear os mortos de guerra brasileiros em Pistoia. “Estou feliz e orgulhoso por prestar homenagem aos brasileiros caídos durante a Segunda Guerra Mundial, na terça-feira, ao lado do Presidente Bolsonaro: deram uma importante contribuição para a libertação da ocupação nazi-fascista”, disse Salvini, citado pela mesma fonte.

Salvini terá, do lado oposto, como já na segunda-feira em Pádua,  manifestações anunciadas contra a presença de Bolsonaro, que contam com o apoio de associações, movimentos, partidos, católicos e outros grupos: “Ele não merece ser recebido e saudado pelas autoridades italianas, a quem pedimos que não lhe preste qualquer homenagem. Pedimos também isto em nome das 600.000 vítimas brasileiras de covid, também causadas pela sua política de saúde discriminatória”, diz uma nota dos organizadores do protesto citada ainda no Open Online.

 

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