Proposta já recebeu muitas críticas

Boris Johnson quer repatriar imigrantes ilegais para o Ruanda

| 18 Abr 2022

Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Undo. Foto ©Andrew Parsons|/ No 10 Downing Street

Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, enfrenta críticas à sua “Lei da Nacionalidade e Fronteiras”. Foto © Andrew Parsons|/ No 10 Downing Street

 

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson pretende repatriar para o Ruanda todos os imigrantes ilegais que sejam detidos no Reino Unido, tendo para isso atribuído uma verba de 125 milhões de libras (cerca de 151 milhões de euros) àquele país africano para apoiar o acolhimento destas pessoas.

O plano está ainda dependente da aprovação do Parlamento. “É inegável que 7 de cada 10 imigrantes ilegais que chegaram em pequenos barcos no ano passado eram homens com menos de 40 anos que pagaram a contrabandistas para os trazerem para o nosso país, prejudicando a nossa capacidade de ajudarmos mulheres e crianças que são verdadeiras refugiadas”, disse Boris Johnson, que acrescentou, citado pelo The Washington Post, que isso “é particularmente perverso, pois estas travessias não significam fugas de perigo iminente, já que estas pessoas já passaram por países seguros, muitos na Europa, onde poderiam – e deveriam – ter pedido asilo”.

O Reino Unido não está sozinho nesta matéria. A Dinamarca também pretende utilizar o Ruanda como destino dos seus imigrantes ilegais. Os EUA tentaram, durante a Administração Trump, recolocar imigrantes ilegais na Guatemala, ideia que o Presidente Biden travou. A Austrália há alguns anos que o faz, repatriando quem tenta chegar ilegalmente ao seu país para a ilha de Manus, na Papua Nova Guiné, ou para a pequena ilha de Nauru, no Pacífico.

A iniciativa de Boris Johnson tem merecido várias críticas da parte de organizações de direitos humanos e das igrejas. Na sua homilia de Páscoa, o arcebispo de Cantuária, Justin Welby, primaz da Comunhão Anglicana, disse, citado pelo portal brasileiro Unisinos, que o envio de requerentes de asilo para o exterior levanta “sérias questões éticas”. “Atribuir a terceiros as nossas responsabilidades, mesmo para um país que procure fazer o bem, como o Ruanda, é contrário à natureza de Deus, que assumiu a responsabilidade pelos nossos fracassos”, disse o prelado.

Por sua vez, o arcebispo de York, Stephen Cottrell, considerou “muito deprimente e angustiante” que “os requerentes de asilo que fogem da guerra, da fome e da opressão não sejam tratados com a dignidade e compaixão que todos os seres humanos merecem”.

A Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP), movimento caritativo católico, disse que esta era “uma medida punitiva”, enquanto o Serviço Jesuíta aos Refugiados disse que os planos “exibiam um desrespeito cobarde pela humanidade e a sua dignidade”.

A SSVP disse que a proposta deixaria os requerentes de asilo “isolados, separados da família e no limbo sobre o seu futuro”, e expressou preocupação com o histórico de direitos humanos de Ruanda. É ilegal sob a lei internacional enviar requerentes de asilo para países terceiros sem as devidas proteções legais, embora o Governo afirme que os planos são “totalmente compatíveis”. Helen O’Shea, presidente nacional desta instituição de caridade, instou o governo a “repensar a Lei de Nacionalidade e Fronteiras, e reorientar a dignidade humana”.

Já o Serviço Jesuíta aos Refugiados considera que o Governo negligencia qualquer cuidado com os refugiados, “em face de evidências horríveis de que o processamento offshore promove abusos dos direitos humanos”. Os planos “representam ainda mais fortificação contra aqueles que buscam segurança: é como se houvesse uma determinação de não olhar nos rostos das pessoas que procuram asilo, não ver as esperanças, amores e medos que estão nesses rostos”, disse o porta-voz desta instituição, citado pelo portal Unisinos.

Numa carta ao primeiro-ministro, 150 organizações britânicas de apoio aos refugiados, incluindo o Joint Council for the Welfare of Immigrants, Rainbow Migration e a Hoe not Hate consideraram que o plano causará “imenso sofrimento” e “resultará em mais, não menos, viagens perigosas, deixando mais pessoas expostas ao risco de tráfico”. Na resposta a estas críticas, Priti Patel, secretária de Estado, defendeu que aqueles argumentos não apresentam soluções para o problema. De acordo com o The Guardian, a governante defendeu a proposta como um ato de uma “nação humanitária”, descrevendo a parceria com o Ruanda como “inovadora” e dizendo que ela iria estabelecer um “novo padrão internacional” nesta matéria.

 

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