Brasil: Diocese de Manaus e ONG pedem ajuda urgente para comunidades indígenas

| 28 Abr 20

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Um indígena a ser testado a covid-19: a diocese e as ONG querem um hospital de campanha exclusivo para populações indígenas. Foto: Direitos reservados/Religion Digital

 

Falta de pessoal médico, falta de equipamento de proteção e meios para tratamento, cadáveres armazenados em camiões frigoríficos e outros a serem enterrados em valas comuns. Em Manaus, capital do estado do Amazonas (Brasil), a pandemia de covid-19 está a provocar um estado de calamidade nunca antes visto. E a tendência é para piorar, agora que o vírus chegou às comunidades indígenas residentes naquele estado. A arquidiocese, juntamente com diversas Organizações Não-Governamentais (ONG), emitiu um comunicado pedindo ajuda urgente. O Papa Francisco telefonou diretamente ao arcebispo Leonardo Steiner, pedindo informações sobre a situação e deixando uma bênção especial para a região da Amazónia.

O comunicado assinado pela arquidiocese de Manaus, juntamente com a Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime), o Serviço Amazónico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (Sares), e o Observatório Nacional de Justiça Socioambiental Luciano Mendes de Almeida (Olma), denuncia a rutura do sistema de saúde e assistência social aos cerca de 36 mil indígenas da região, residentes em 54 comunidades e que constituem um dos principais grupos de risco face à pandemia.

As entidades denunciam o facto de o plano de contingência nacional negligenciar as populações indígenas e exigem que sejam tomadas algumas medidas urgentes, como a criação de um hospital de campanha exclusivo para populações indígenas, já prometido pelo Governo, a inclusão dos indígenas residentes em Manaus como população prioritária no programa nacional de vacinação e o acolhimento dos indígenas urbanos que necessitem de isolamento social nas Casas de Apoio ao Indígena (Casai).

 

Cenário poderá tornar-se ainda mais “desastroso”

O cenário atual, que dizem ser já “dramático”, com o “aprofundamento da fome e da extrema pobreza nas comunidades localizadas em perímetro urbano” e o número de casos confirmados de infeção em Manaus a ultrapassar os 3.900 nesta segunda-feira, 27, poderá tornar-se ainda mais “desastroso” se as medidas não forem tomadas de imediato, denunciam aquelas instituições.

Também o bispo Roque Paloschi, presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), órgão ligado à Igreja Católica que atua junto dos povos indígenas brasileiros, havia já denunciado no passado que as ações do Governo para proteger as comunidades da pandemia estão “muito aquém do necessário.”

“Temos a preocupação de que o Governo aproveite esta situação para retirar toda a assistência das comunidades, estabelecendo um caos completo e visando a retirada dos indígenas dos seus territórios”, alertou Paloschi em declarações à BBC News Brasil.

Preocupado com a situação em Manaus, o Papa Francisco telefonou pessoalmente ao arcebispo de Manaus, Leonardo Steiner, no sábado, dia 25. “O Papa afirmou que reza por todos nós e que enviava uma bênção especial para a Amazónia. Estamos profundamente agradecidos ao Papa Francisco pelo seu gesto paterno-eclesial”, afirmou o bispo.

De acordo com uma nota publicada no site da diocese, Francisco terá pedido informações sobre a situação atual e manifestado uma preocupação particular com os povos indígenas e os pobres. Informado sobre algumas ações de solidariedade a decorrer na diocese, o Papa agradeceu o trabalho que está a ser desenvolvido localmente por fiéis, associações, religiosas e padres para minimizar o sofrimento dos mais frágeis.

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