Burkina Faso: “Crise esquecida” coloca 2,2 milhões de pessoas em risco de morrer à fome

| 8 Jul 20

fome burkina faso Foto Twitter Caritas

Os deslocados internos não têm acesso a alimentos ou água, denuncia o padre Constantin Sere. Foto reproduzida da página da Cáritas Burkina Faso na rede social Twitter.

 

Nos próximos meses, no Burkina Faso, 2,2 milhões de pessoas estarão em situação de carestia extrema, o que significa que poderão morrer à fome. O número é três vezes superior ao registado em 2019, alertou esta segunda-feira, 6 de julho, o diretor da Cáritas naquele país, padre Constantin Sere. O responsável fala de uma “crise esquecida” pelo resto do mundo e apela urgentemente à ajuda internacional, numa altura em que se aproxima a estação das chuvas torrenciais na região.

“O mundo esqueceu-se da crise no Sahel [região entre o deserto do Sara e a savana do Sudão]. Países como o Burkina Faso enfrentam uma série de desafios enormes e sem ajuda as pessoas sofrerão terrivelmente. Os deslocados internos não têm acesso a alimentos ou água, a qual é essencial tanto para beber como para a higiene pessoal”, afirma o responsável da Cáritas, citado pela agência Fides. “É uma das ondas de deslocados internos com evolução mais rápida em todo o mundo.”

À medida que se aproxima a temporada das chuvas, a situação torna-se ainda mais preocupante, sublinha o padre Sere, dado que “a maioria das pessoas não tem um refúgio adequado para fazer frente às tempestades, ventos fortes e inundações que haverá ao longo dos próximos três a cinco meses”.

Com o objetivo de apoiar algumas áreas particularmente críticas, a Cáritas lançou uma campanha para angariar 600 mil euros. O projeto pretende assegurar alojamento, comida e água potável a cerca de 1.500 famílias. Cada família receberá 50 quilos de arroz ou milho, 25 quilos de feijão, 5 litros de óleo, 2 quilos de sal e 5 mil francos na moeda local (cerca de 8 euros) para comprar alimentos frescos.

Depois de quatro anos de clima de violência e tensão na fronteira a norte e leste do país, os deslocados internos continuam a acreditar no regresso às suas terras de origem, conta o padre Sere. “Mas temo que isso não possa acontecer tão cedo, pois os conflitos não mostram sinais de diminuir e, apesar dos esforços do Estado, os grupos armados continuam a semear terror”, conclui o responsável da Cáritas Burkina Faso.

 

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