Tal como um castelo, de mármore branco, onde os ecos do passado se misturam com as vozes do presente, a Casa Branca, vista de longe, parece erguer-se como um farol, alicerçado em promessas de grandeza, de ambição e de esperança.
Diz quem lhe atravessa as portas que é uma construção feita de paredes de pedra, e segredos, de cal, e compromisso, de madeiras, e sombras, de tudo o que está para além do olhar de quem a contempla vista de fora.
Nos seus salões ressoam murmúrios e gemidos, há quadros a adornar as paredes, retratos de quem já governou e cujo legado pesa agora sobre os ombros de quem detém o poder.
As janelas, que deveriam ser transparentes como a verdade, refletem hoje, apenas, a sombra do que se quer esconder. Por entre os corredores labirínticos, a representar simbolicamente caminhos políticos sinuosos, há portas que se entreabrem, são as portas das salas onde se tomam decisões e onde um simples gesto, ou palavra, tem o poder de mudar o curso de um império, da História, do Mundo.
A Casa Branca será sempre fortaleza de ambição, palco onde mudam os atores, mas em que permanece o enredo: a luta constante entre interesses e ideais, entre realidade e promessa.
Em cada sala uma voz, em cada mesa um vinco, a marca das decisões que moldaram destinos. Mas há uma sala onde se concentra o poder, onde o líder se senta e se vê como um sol brilhante, sentindo o peso invisível de uma coroa, sem joias: a sala oval.
A multidão observa.

Donald Trump à entrada da Casa Branca. Foto © The White House
A Casa Branca, símbolo de esperança, bastião da liberdade, onde a vontade do povo se dissolve na trama do poder, permanece firme. Apesar da mudança dos tempos, parece resistir à tempestade política, como um velho carvalho que já viveu outonos demais para se deixar abalar com a chegada de mais um inverno.
Na sala oval, abriram-se fendas na estrutura, tremeu a fundação. Histórias não contadas, (in)verdades, discursos, retórica, medo, promessas que, afinal, não se vão cumprir.
A multidão observa.
Rodeado por hienas, que riem na sombra, um homem cresceu, refletiu nas paredes daquela sala a imagem de todo um povo, de uma nação, que perante a iminência da catástrofe, não cedeu, não se vendeu: resistiu, deu-se à luta.
A Casa Branca continua imóvel por fora, mas em constante movimento por dentro. Há nela um coração que não pode descansar, para assim poder contrariar a direção destes perturbadores ventos do poder.
Júlia Costa é cristã na essência, católica por tradição. Ligada à paróquia da Amadora, na Pastoral Juvenil e na Promoção da Comunidade. Mãe de uma filha, avó de três netos. Profissionalmente na área da contabilidade, embrenhada em números, mas desde sempre fascinada pela palavra.










