Cada manhã o alvoroço da luz – um (quase) inédito de Sophia

| 6 Nov 19

Em 1990, Henrique Manuel Pereira, seminarista e responsável editorial da Atrium – Revista dos Alunos do Seminário Maior do Porto pediu a Sophia de Mello Breyner um poema para aquela publicação. Sophia respondeu com este poema, publicado no nº 8 (ano IV) da revista. O poema, que Henrique Pereira crê que não foi ainda publicado em livro, trasncreve-se a seguir, no dia em que se assinalam 100 anos sobre o nascimento de Sophia de Mello Breyner Andresen (6 de Novembro), com o agradecimento do 7MARGENS ao agora professor na Escola das Artes no centro do Porto da Universidade Católica Portuguesa.

Página da “Atrium” com o poema de Sophia

 

POEMA

 

Cada manhã o alvoroço da luz

Me acorda: a luz atravessa a paisagem e a casa!

– A dormir tinha esquecido não as coisas

Mas sua meticulosa beleza

Múltipla

 

No princípio Deus disse

Faça-se a luz

E com a luz da manhã o mundo principia

Digo a luz e não o sol

Nos dias de nevoeiro emergem formas brancas

Aqui e além como se vogassem

Numa deriva cismadora e serena

Nos dias de sol os ciprestes enegrecem

E ao longe brilha o regozijo das vidraças

 

Sophia de Mello Breyner Andresen (inédito – 1987)

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