Em ano Xacobeo

‘Caminho Minhoto Ribeiro’ reconhecido pelos arcebispos de Braga e Santiago

| 20 Set 21

caminho santiago

 

A cidade de Braga foi palco, nesta sexta-feira, 17, da declaração oficial de reconhecimento do Caminho Minhoto Ribeiro por parte dos arcebispos de Braga e de Santiago de Compostela, depois de esse processo ter decorrido já por parte das autarquias do lado português e galego. Na conferência que decorreu em Braga, cidade que é ponto de partida dos dois itinerários que compõem este Caminho, foi igualmente feita a apresentação da investigação documental que fundamenta este novo percurso, a cargo do professor e historiador galego Cástor Pérez Casal.

Cástor Pérez Casal explicou no Espaço Vita, em Braga, como foi o moroso processo de reativação do Caminho Minhoto Ribeiro. Tudo começou por acaso, em 1998, sublinha, “pela curiosidade com que recebi uma informação que encontrei sobre um hospital de peregrinos no Condado de Padrenda. A partir daí, desenvolvi um trabalho de ‘detetive privado’, redescobrindo os vestígios documentais e históricos que tornam especial este Caminho”.

Particularidades como o facto de ser um trajeto que é “ minhoto, porque atravessa a geografia do Minho, com uma ligação muito forte ao Rio, às águas e ao termalismo, bem como ao vinho, Alvarinho, na parte portuguesa e aos vinhos do Ribeiro, quando entramos em território galego”. Também é especial por mostrar que “os Caminhos, no Minho, atravessavam outras terras como Monção e Melgaço, e não ficavam circunscritos à fronteira que ligava Valença a  Tui”.

Foram 23 anos de investigação que o professor galego dedicou a este projeto, com a colaboração de vários agentes dos dois lados da fronteira. O padre e investigador Carlos Nuno Vaz, reitor da igreja da Senhora-a-Branca, em Braga, foi um desses agentes, chamando a atenção, durante a conferência, “para a omnipresença de referências a S. Tiago nas terras do Minho, com várias capelas consagradas ao santo espalhadas por várias localidades”. Mário Monteiro, presidente da ordem de S. Teotónio, tem sido outro dos dinamizadores desta ideia, a partir de Cevide, Melgaço – a  última localidade onde passa o Caminho Minhoto  em Portugal.

A Associação do Caminho Minhoto Ribeiro, criada no âmbito desse trabalho de recolha documental, impulsionou a reativação deste Caminho. Como resultado foi publicado o livro “Camiño Xacobeo Miñoto Ribeiro”, no ano de 2010, escrito em co-autoria pelo professor Cástor Pérez Casal e pelo historiador J. Ramón Estévez.

As autarquias galegas também aderiram ao projeto, constituindo uma Associação de Municípios do Camiño Miñoto Ribeiro, e organizando em 2017, as primeiras jornadas sobre o Caminho Minhoto Ribeiro. Em 2019, o Caminho ganha uma nova dimensão: reúnem-se em Castro Laboreiro representantes das câmaras municipais minhotas e galegas, manifestando o desejo de sinalizar e cartografar todo o Caminho, e obter o reconhecimento como Caminho Jacobeu.

Esses contactos conduziram à assinatura de um protocolo, em Dezembro de 2020, que junta sete câmaras portuguesas (Braga, Vila Verde, Ponte da Barca, Arcos de Valdevez, Monção e Melgaço). Nesse mesmo ano, a Igreja de Compostela declarou oficial o Caminho Minhoto Ribeiro.

Em Junho de 2021, as câmaras municipais minhotas e galegas por onde passa o Caminho, assinam em Cevide, Melgaço, o início do processo de certificação, envolvendo as autoridades políticas e eclesiásticas do Minho e da Galiza. Este processo culminou, nesta sexta-feira, 19, na jornada de apresentação do Caminho e assinatura da Declaração oficial por parte do arcebispo de Braga, Jorge Ortiga, e do arcebispo de Compostela, Julián Barrio.

Cástor Pérez Casal mostra-se otimista quanto ao futuro. “Creio que este Caminho deve revalorizar a componente espiritual dos Caminhos e acredito que isso, aliado à visibilidade que irá dar a muitas terras e gentes, à paisagem local, ao termalismo, ao vinho, tornam estes percursos especiais no contexto dos Caminhos de Santiago”.

Em Novembro próximo, será reeditado o livro “Caminho Jacobeu Minhoto Ribeiro”, com novidades – a exclusão da denominada Geira romana como Caminho de peregrinação, que fazia parte da primeira versão, ficando comprovados como caminhos jacobeus dois itinerários principais que partem de Braga.

 

Rui Marques realizou trabalhos jornalísticos para A Vida Económica e Semanário Económico bem como para o jornal luso-galego A Peneira.

 

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