Caminho Sinodal na Alemanha: questões sobre mulheres e homossexuais na Igreja serão levadas a Roma

| 1 Jun 20

Sessão de abertura do Caminho Sinodal da Igreja Católica na Alemanha, a 31 de Janeiro. Foto Isabella Vergata

A participação das mulheres, divorciados e homossexuais na Igreja foi um dos principais temas em debate até agora no Caminho Sinodal da Igreja Católica na Alemanha e o presidente da Conferência Episcopal, o bispo Georg Bätzing, deseja colocá-la à consideração na próxima assembleia do Sínodo dos Bispos convocada pelo Papa Francisco, que terá lugar em Roma, em 2022.

Nos últimos dias, a questão da ordenação de mulheres foi novamente levantada pela teóloga francesa Anne Soupa, que se apresentou como “candidata” a arcebispo de Lyon. Apesar de Francisco ter chegado a afirmar que esta era “uma questão encerrada”, ele próprio decidiu reabrir o tema, com uma nova comissão que debata o diaconado feminino. Além disso, a ordenação de mulheres é “uma necessidade” que “está aí, no meio da Igreja” e os argumentos apresentados contra a mesma “na maioria dos casos já não são aceitáveis”, afirmou Georg Bätzing em entrevista à revista Publik-Forum, citado pelo jornal Religión Digital.

Além deste tema, o presidente da Conferência Episcopal alemã pretende abordar a questão da participação dos cristãos não católicos na eucaristia. “Os cristãos podem escolher de acordo com a sua própria consciência participar na eucaristia ou comunhão de outra denominação”, defende Bätzing, que fala também numa possível bênção para divorciados e recasados ou homossexuais: “Muitos sofrem pelo facto de a sua relação não ser plenamente reconhecida pela Igreja” e “esperam um sinal” da mesma.

Sobre este tema , o bispo de Limburgo e presidente do episcopado perguntara, há mês e meio: “Se um casal homossexual vive em fidelidade, não poderemos dizer que a relação deles é abençoada por Deus?

 

O amor de Deus “não discrimina”, diz cardeal Zuppi

A propósito da forma como a Igreja encara os homossexuais, também o cardeal italiano Matteo Maria Zuppi, arcebispo de Bolonha, escreveu há dias, no prefácio do novo livro Chiesa e omosessualità, Un’inchiesta alla luce dela magistero di papa Francesco (Igreja e homossexualidade, um inquérito à luz do magistério do Papa Francisco), que “não podemos esquecer que o amor de Deus não discrimina e abraça todas as diferenças”.

Na introdução à obra, da autoria de Luciano Moia, diretor do jornal católico L’Avvenire, Zuppi recorda a afirmação do Papa Francisco, na sua exortação Amoris laetitia, em 2016: “Cada pessoa, independentemente da própria orientação sexual, deve ser respeitada na sua dignidade” e acolhida. E explica: a abordagem do Papa “não consiste em relativizar a lei de Deus, mas antes em torna-la relativa à pessoa concreta, com a sua especificidade”.

Zuppi lamenta o facto de a Igreja ter caído na falta de “uma escuta profunda da pessoa na sua situação de vida”. E, mais do que adotar medidas específicas relativamente aos homossexuais, o cardeal considera que a Igreja deve começar a olhar verdadeiramente para todas as pessoas, incluindo as homossexuais, para que elas possam “sentir-se elas próprias(…) membros da comunidade eclesial”, lembrando que o próprio Jesus não tinha critérios de exclusão. Se tivesse, “antes de entrar na casa de Zaqueu, teria pedido que ele se convertesse. Antes de acompanhar a Samaritana, ter-lhe-ia pedido que regularizasse a sua situação marital”, concluiu.

 

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