Ao deslocar-se em Veneza entre os Jardins da Bienal e os espaços expositivos do Arsenale, o visitante atravessa uma zona popular do bairro de Castello. Encontra-se assim, de repente, fora do percurso turístico habitual, passando por ruas desertas, devido ao declínio demográfico da cidade lagunar, repletas de edifícios degradados pelo abandono ou pelos custos exorbitantes de manutenção, alternadas com áreas inesperadas de alta densidade populacional, sinalizadas pelos fortes odores da cozinha e pela sucessão de roupas estendidas sobre os canais, numa variante aquática das ruelas napolitanas totalmente inesperada.
É uma Veneza pobre e escondida que se apresenta a quem passa por aqui, longe do luxo desenfreado da Sereníssima “bezosizada” dos hotéis do Canal Grande, triunfo de fundações multimilionárias e gôndolas equipadas com champanhe, caleidoscópio de lojas de fast-food e joalharias gastronómicas, céus dourados petrificados em céus de plástico, obras-primas liofilizadas em gadgets made in China, o passado convertido em showroom para investimentos financeiros e estratégias promocionais.
No nosso tempo desencantado, o conto de fadas é embalsamado em parques de diversões, a imaginação encolhe em diversão, e em poucos outros lugares do mundo é tão absoluta e fatal a experiência do kitsch como fórmula hermenêutica de uma civilização exausta, em que a compra substitui a compreensão, a posse toma o lugar do conhecimento, a exibição mata a visão, a imagem é um fetiche que oculta em vez de revelar, veiculando a afasia da desculturação.
A este destino infeliz ao qual parece estar condenada pela sua própria beleza sublime, Veneza resiste tentando regenerar-se através da cultura. No rico calendário das Bienais a cidade constrói um ritmo temporal de múltiplas inteligências através do qual tecer um código intelectual capaz de decifrar o presente. A aposta é de que até mesmo os fenómenos comerciais que a massacram se tornem ferramentas experimentais de uma alternativa possível: os processos devem ser vividos para poderem ser lidos e transformados, devem ser metabolizados para poderem ser governados. Assim, Veneza desafia a miniaturização da Ponte de Rialto e da Basílica de São Marcos enquanto ícones de massa, transformando-se num laboratório a céu aberto de uma inovação com uma memória antiga, de novas linguagens em que o passado não é uma língua morta.
A inquietude do visitante

Norman Foster, Gateway to Venice’s Waterways, obra exposta no Arsenal de Veneza. Foto © Teresa Bartolomei
“Será que vai conseguir?”, pergunta-se com inquietude o visitante das diferentes Bienais, enquanto examina as obras e os projetos de uma consistência intelectual formidável que, a cada nova edição, os curadores de imensa cultura e ouvido histórico-político apurado propõem ao público com uma insolência militante não imune a pecados (veniais ou mortais?) de academicismo exotérico e de uma bulimia mercantilista cúmplice. Quanto desta extraordinária massa de produção, pesquisa, reflexão artística e técnica, canalizada todos os anos para Veneza se destilará como fator eficaz e estável de aprendizagem e mudança?
Na dinâmica de crescente desinstitucionalização da cultura contemporânea (que transita das academias para as praças, das universidades para as redes sociais, das revistas para os festivais), a questão crucial é até que ponto é possível separar o joio do efémero e o trigo do duradouro; até que ponto o evento se pode converter em processo, transformando a instantaneidade da exposição na permanência da criação? Isto será possível somente se o contentor não prevalecer sobre o conteúdo, se a ocasião amadurecer num percurso, se a proposta se articular criticamente com o contexto, se a evenemencialidade mediática se redimir em evenemencialidade histórica, se o evento cultural adquirir a força de motor de mudança.
Vencer esta aposta não é óbvio em tempos cada vez mais acelerados, pressionados pela lex augendi, que quantifica as nossas vidas contemporâneas em termos de pressão incremental. Por isso o visitante que contribui para a meritória tentativa da Bienal de converter a experiência do presente em visões e ações para o futuro, acolhe com alívio trépido todos os sinais que apontam para um fôlego mais longo, para uma força de penetração histórico-social que ponha em marcha inícios transformadores e estratégias reflexivas capazes de nos tirar fora da desorientação paralisante em que o caos estratégico destes tempos ilegíveis nos precipita.
Não é fácil encontrar esses sinais, assim como não é fácil encontrar um fio condutor hermenêutico para quem não é especialista e visita a Bienal de Arquitetura deste ano, um cocktail “agitado e não mexido” que une uma excelência tecnocientífica desafiadora, que interpela competências altamente especializadas, às piscadelas astuciosas ao florescente negócio da espiritualidade “faça você mesmo”, com espaços de relax introspetivo equipados com música new age de fundo, luzes difusas e almofadas espalhadas no chão.
Como uma Cidade Proibida

Uma Veneza pobre e escondida no bairro do Castello. Foto © Teresa Bartolomei
Perante a torrencial variedade de propostas, o espectador comum sente-se, em certa medida, perplexo e perdido tal como o Remo Proietti de Alberto Sordi, que em Férias inteligentes (um fabuloso sketch de comédia à italiana dos anos 1970) explorava a exposição veneziana como se de uma Cidade Proibida se tratasse, um cofre de mandarinismos esotéricos que oscilam entre o sublime e a zombaria. Sair do Arsenale, reencontrar a Veneza pobre e verdadeira do bairro de Castello é, portanto, um revigorante banho de realidade, que nos reintroduz no espaço arquitetónico da vida quotidiana e na concretude irredutível do habitar.
No final, toda a massa de informação, explicação e reflexão estratificada nos Pavilhões do Arsenale encontra aqui a evidência de se tornar coisa, casa, espaço urbano; encontra o silêncio da rarefação demográfica e a densidade da área popular; encontra o árduo equilíbrio entre as necessidades técnicas e sociais de um assentamento humano que se desenvolveu em condições ambientais fora do comum; encontra a beleza de soluções que convertem a funcionalidade em forma, a resposta à necessidade em experiência estética. É, portanto, com uma mistura de surpresa e curiosidade que o visitante, descansando do bombardeamento tecno-conceptual a que o Arsenale o submeteu, avança ao longo de uma pequena fondamenta despida, se depara com uma pequena porta aberta, dominada por um tímpano de pedra e ladeada por um cartaz que indica o Pavilhão da Santa Sé (complexo de Santa Maria Ausiliatrice, Fondamenta S. Gioacchin, Castello 450).
É aqui, neste circuito periférico fora das áreas expositivas, numa área de Veneza não afetada pela frenesia do luxo e do consumismo turístico, que o Dicastério para a Cultura e a Educação identificou o espaço adequado para a sua proposta na Bienal de Arquitetura 2025. O projeto quis evidenciar o elo que faltava na paleta de inteligências múltiplas qualificadas pelo itinerário intelectual proposto pelo curador, Carlo Ratti, como chave para a compreensão da prática arquitetónica: Intelligens. Natural, Artificial. Collective.
Somente na sapiente intersecção dessas diferentes formas da cultura humana, adverte-nos esta Bienal, nascem as obras, os edifícios, as cidades, as sociedades, as instituições. Somente reconhecendo o papel respetivo desses fatores na polifonia nem sempre harmoniosa, por vezes dissonante e tragicamente conflituosa, que constitui a existência humana, seremos capazes de enfrentar os vertiginosos desafios ecológicos e históricos que temos pela frente. Somos um pedaço inteligente da natureza, um pedaço do artifício, um pedaço da coletividade. Ninguém consegue safar-se sozinho, por isso temos de abandonar o frenético delírio individualista que devora a nossa convivência. Não podemos deixar de fora da equação resolutiva a variável natural, artificial e social: temos de reativar a escuta da nossa condição corporal, e associá-la, em vez de a opor, à nossa capacidade abstrata e construída coletivamente de descontextualização imaginativa.
Uma obra aberta

“Há andaimes encostados às paredes e uma técnica a trabalhar na limpeza de um afresco.” Foto © Jorge Vasconcelos
Tudo verdade, replica o Pavilhão com curadoria do Dicastério, mas a estes aspetos imprescindíveis falta uma peça fundamental: a da inteligência comunitária. Pensar a dimensão coletiva da nossa inteligência humana não basta para ultrapassar a cegueira individualista: é também através da interação interpessoal e não apenas da simbiose sistémica que se constrói a convivência, o fazer comum que se torna ser, a correlação plural capaz de dar frutos partilháveis. Em torno deste eixo comunitário da vida humana, enquanto dimensão fundamental do habitar e gramática arquitetónica que, por vezes, esquecemos sob a pressão económica e tecnológica a que a construção se conforma, o Pavilhão desenvolveu uma proposta expositiva que não se destina tanto a ser vista, mas sim a ser conhecida, que não se articula numa sequência de imagens, mas sim numa rede de ações que visam compreender, experimentar e partilhar – de forma gradual, dedicando tempo e prestando atenção; interagindo e não apenas observando.
O Pavilhão da Santa Sé, que pede emprestado de um livro de Umberto Eco o belo título de Obra Aberta, não é um ponto de chegada, nem o resultado de uma pesquisa intelectual e artística apresentada ao público para ser avaliada e, possivelmente, servir de exemplo, como é regra para os pavilhões da Bienal. O Pavilhão instalado no antigo oratório de Santa Maria Ausiliatrice é antes um estaleiro, um work in progress, uma ação cujo resultado é incerto e confiado à resposta dos potenciais interlocutores, que (e este é um aspeto decisivo) não são apenas o público da Bienal, mas a população do bairro, todos aqueles que habitam o espaço circundante, que deveria ser reconfigurado, renovado, reparado pela presença do Pavilhão.
Como nos é relembrado, o julgamento de uma obra arquitetónica não é pronunciado apenas pelo espectador, mas em primeiro lugar por quem a habita, por quem nela encontra uma forma partilhada de estar no mundo que responde não só às suas necessidades, mas também aos seus desejos: não só à funcionalidade das leis da sobrevivência, mas também à liberdade da nossa autocompreensão; não só à necessidade, mas também à beleza. Olhemos juntos para como se tece esta trama comunitária do habitar: é-nos proposto, porque só assim compreenderemos melhor o que não funciona nas nossas cidades cada vez mais anónimas, solitárias, alienantes. Só assim compreenderemos por que razão vivemos cada vez mais o passado como perda e não como recurso, e por que razão somos incapazes de nos relacionarmos com o futuro, visto sermos incapazes de viver o presente como fonte de experiência.
Onde estamos?

Os alunos do conservatório vizinho podem reservar os espaços como salas de ensaio e utilizar os dois pianos. Foto © Teresa Bartolomei
A experiência requer tempo. Não pode ser instantânea. Ao entrar no Pavilhão não se compreende imediatamente onde se está, nem o que está a acontecer. Atravessamos uma série de salas empacotadas como numa instalação de Christo, iluminadas por um néon amarelo-limão que exacerba a sensação de desorientação e expõe a artificialidade do contexto, ativando o distanciamento reflexivo. Deveria ser um estaleiro de obras de restauração, supomos. Há andaimes encostados às paredes e uma técnica a trabalhar na limpeza de um afresco. Na sala ao lado, duas janelas abertas nas lonas de cobertura deixam ver uma parede corroída pelo mofo e um chão danificado. No entanto, na sala de entrada, ao lado do andaime, há um piano de cauda e, mais adiante, noutra sala, há mais um piano colocado ao pé de uma enorme mesa de reuniões. E na sala que se abre no fim de um corredor há um atelier de cerâmica e, mais além, uma prateleira onde estão empilhados desenhos infantis.
Onde estamos? O visitante, perplexo, começa a ler atentamente os cartazes, fala com uma funcionária e recomeça a visita. Estamos num antigo oratório, abandonado, mais uma estrutura religiosa que mudou de mãos e de que a Câmara Municipal de Veneza não sabia o que fazer, por falta de recursos para a sua recuperação. O Dicastério para a Cultura e Educação adquiriu-o até 2028, comprometendo-se a restaurá-lo não só estruturalmente, mas também socialmente. O edifício, que se encontrava fechado e abandonado, foi reaberto, e a população do bairro foi convidada a reapropriar-se dele enquanto decorrem os trabalhos de restauro, de modo a recuperar a funcionalidade social que tinha como oratório: local de convívio intergeracional, espaço educativo e polo de coexistência.
Enquanto os técnicos restauradores recuperam o edifício, peça a peça, os habitantes do bairro são solicitados a usufruir dos espaços: são oferecidas oficinas de artesanato para idosos e crianças; uma cozinha comunitária está disponível para quem quiser cozinhar com os outros; os alunos do conservatório vizinho podem reservar os espaços como salas de ensaio e utilizar os dois pianos. No pátio adjacente, foi instalado um consultório médico. Tudo funciona de forma gratuita, graças ao apoio dos patrocinadores. Trata-se de uma fórmula mista, que não distingue entre obra de misericórdia, ação social, projeto artístico e cultural. Será realmente necessário escolher? Refletir sobre a integração entre esses momentos e reativá-la não será a resposta adequada à privatização galopante, que na nossa sociedade contemporânea está a esgotar a vida em comum e a criatividade pessoal, submetendo-as à lógica mercantil do lucro e da propriedade?
A interdependência que nos sustenta

“A implementação comunitária da interdependência que sustenta as sociedades é transversal às diferentes esferas da ação social e da cultura. Foto © Teresa Bartolomei
É necessário partir do que é comum, das dinâmicas comunitárias, para reparar o tecido rasgado da convivência, curar as múltiplas solidões, construir caminhos de reconciliação e pacificação. É necessário implementar práticas virtuosas que deem voz à interdependência que nos mantém unidos, e contrariar as delirantes reivindicações de autossuficiência cada vez mais propagadas pela política e pela economia. A interdependência é a palavra-chave que o Pavilhão retoma da encíclica Laudato si’ do Papa Francisco, que este ano comemora o seu décimo aniversário e que constitui o horizonte concetual que inspira a proposta do Dicastério.
A implementação comunitária da interdependência que sustenta as sociedades, tanto internamente como externamente, é transversal às diferentes esferas da ação social e da cultura: a criação artística não pode ser dissociada da sua matriz interpessoal; as dinâmicas criativas não podem ser isoladas da sua funcionalidade estrutural; a responsabilidade ética individual nunca é absoluta, constituindo uma peça de papéis geracionais, políticos e culturais, compreensíveis e realizáveis apenas na sua dimensão comum. Assim, o Pavilhão chama a atenção para esta trama complexa de práticas subjacentes ao habitar, ao construir, ao reparar, destacando que elas são um processo aberto, sobre o qual ninguém tem controlo absoluto, e que nenhuma arquistar e nenhum prodígio tecnológico tem a fórmula mágica para resolver os vertiginosos problemas (ambientais, demográficos, sociais) que hoje desafiam a arquitetura e o urbanismo. O possível êxito depende de todos.
Por esta razão, o Pavilhão assumiu conscientemente o risco de fracassar, caso a resposta da população do bairro fosse negativa. Se os idosos não fossem reunir-se nas suas salas, se as crianças não fossem brincar, as famílias cozinhar, os estudantes tocar, no final dos seis meses da Bienal, o antigo oratório de Santa Maria Ausiliatrice teria sido restaurado estruturalmente, mas continuaria a ser apenas um ex-oratório: uma caixa vazia que testemunha uma época já terminada, em que o cristianismo era agente gerador de formas individuais, coletivas e comunitárias de vida, era sujeito de cultura e produtor de processos sociais. Veneza teria ganho mais um edifício reabilitado, mas desprovido da sua vocação social original; teria ganho um espaço para ver, alugar, usar, mas não para habitar em comunidade. A ideia inicial teria sido feliz e estimulante (e, de facto, rendeu ao Pavilhão e ao seu comissário, o cardeal Tolentino Mendonça, a Menção Honrosa do Júri da Bienal, na cerimónia de entrega de prémios que ocorre no início da manifestação, quando os jogos ainda não estão decididos), mas teria ficado apenas na boa intenção que não deu em nada.
Em vez disso, a proposta conseguiu quebrar a barreira de desconfiança que separa a população veneziana da torre de marfim da Bienal e retirar a Bienal do circuito exclusivo dos autores, críticos e público para chegar aos habitantes do bairro, reativando a dinâmica oratória de agregação social com base na intuição profética de São Filipe Néri, numa fórmula que a reinterpreta à luz de uma visão renovada da presença cristã na sociedade do nosso tempo.
Os residentes do bairro de Castello apropriaram-se do Pavilhão. O evento cresceu ao longo do processo, dando um sinal encorajador sobre a possibilidade de a Bienal ajudar Veneza a reinventar-se como cidade; a ajudar a sociedade a repensar-se através da cultura, elaborando novas formas de civilização à medida do ser humano, estratégias de reconfiguração pacífica, solidária e sustentável da convivência.
Uma operação cultural, não religiosa

O oratório propõe-se como uma forma de habitação comunitária que pode gerar práticas de cuidado, reparação e beleza. Foto © Jorge Vasconcelos
O Pavilhão é uma operação cultural, não religiosa. Intervém no âmbito de uma instituição como a Bienal, que reúne Estados e não comunidades de fé. Intervém, portanto, como Santa Sé e não como Vaticano. No entanto, não intervém de forma “neutra”, abstraindo-se da sua razão de ser, que é a de ser Igreja: sinal e instrumento do amor de Deus revelado ao homem e à história. Interpretar de forma “cultural” e não “religiosa” a sua razão de ser, que é essencialmente religiosa (assim como a Secretaria de Estado a interpreta de forma “política”), significa “sair” da sua identidade para a reconstruir através do serviço prestado ao homem e à sociedade, encontrando palavras que digam a verdade da qual é guardiã, em linguagens e práticas inéditas, geradas pelo Espírito.
Esta distinção é sublinhada pela vocação oratorial do complexo arquitetónico que acolhe esta operação. Também do ponto de vista espacial, o oratório não é a igreja: é-lhe contíguo, mas não se identifica com ela. Não é um espaço sagrado, mas sim um espaço social onde as pessoas se reúnem para participar numa iniciativa de serviço e cuidado promovida pelo seu próprio ser cristão, que visa criar condições de convivência que permitam de “crescer em sabedoria” (Lucas 2, 52), paz e fraternidade, de crescer em inteligência e solidariedade como comunidade. O oratório é uma obra aberta da sociedade, um laboratório experimental de formas de vida não colonizadas pelo poder económico e político, capazes de produzir cultura e não restritas à dimensão privada da família.
O oratório propõe-se como uma forma de habitação comunitária que pode gerar práticas de cuidado, reparação e beleza. Não exige nem emite certificados de pertença, não se formaliza em formas de associação estatutária, é poroso e informal. O que o define é o olhar sobre o ser humano instituído pela hospitalidade como gramática fundamental da convivência. É uma lição bíblica, é uma vocação cristã, mas que não se fica pelo recinto do sagrado: é fermento de cultura e sociedade, de sabedoria e responsabilidade.
O Pavilhão da Santa Sé na Bienal de Arte de 2024, que abriu as portas da cadeia feminina da Giudecca [ver 7MARGENS], dando visibilidade ao invisível social da detenção, ao recalque público da condição prisional, inaugurou uma operação de saída, tanto da Bienal como da própria Santa Sé das sedes institucionais tradicionais, que encontra uma nova etapa significativa na participação na Bienal de Arquitetura 2025.
O Pavilhão oratorial desta edição indicou, de facto, à Bienal um caminho de inteligência comunitária que é indispensável recuperar. Indicou aos crentes um caminho de serviço cultural como interpretação histórica da sua razão de ser religiosa, que é indispensável e urgente promover para além da ação pontual de algumas instituições, no compromisso diário da comunidade eclesial.
Biennale Architettura 2025
19ª Mostra Internazionale di Architettura
Veneza, até 23 de Novembro
Teresa Bartolomei é doutorada em Teoria da Literatura pela Universidade de Lisboa, investigadora do Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião da Universidade Católica Portuguesa e professora convidada.










