
‘Deren garantiu que “os responsáveis pela rede criminosa foram evacuados por helicópteros militares de Myanmar antes da queda da cidade Laukkai e da rendição de centenas de soldados”.’ Foto: Rua da cidade de Laukkai, Maynmar. © Nanda | Frontier
Os grupos armados que lutam contra a junta militar de Myanmar no norte do país, junto à fronteira com a China, divulgaram terem desmantelado uma rede que envolvia 100 mil escravos (41 mil dos quais foram entregues às autoridades chinesas) trabalhando em centros telefónicos de negócios de burla informática que visavam residentes na China, Tailândia e no próprio Myanmar.
A Asian News cita o comandante do Exército da Aliança Democrática Nacional de Myanmar, Peng Deren, que coordena as forças de três grupos armados locais no norte do Estado de Shan, segundo o qual “as organizações de fraudes online ganham até 14 mil milhões de dólares por ano” e “trabalham com a junta militar” para escravizar as populações da região. Deren garantiu que “os responsáveis pela rede criminosa foram evacuados por helicópteros militares de Myanmar antes da queda da cidade Laukkai e da rendição de centenas de soldados”.
Uma confirmação indireta da extensão deste negócio ilegal e da determinação das autoridades chinesas em erradicá-lo foi, considera a Asian News, o recente anúncio de que Pequim prendeu no seu próprio território pelo menos 70 mil pessoas envolvidas nestas redes.
A China é um dos poucos Estados (com a Rússia) que apoia a junta militar que ascendeu ao poder através de um golpe de Estado em 1 de fevereiro de 2021 [ver 7MARGENS]. Pequim mantém fortes relações comerciais (incluindo armamento) com Myanmar, mas além de pretender que o seu aliado acabe com as “fábricas de fraude informática e cibernética” exige também que a junta militar ponha termo à produção de ópio em grande escala, retomada em solo de Myanmar pelas máfias chinesas que a junta protege e pelas quais é financiada. No ano passado o país ocupou o primeiro lugar no ranking mundial da produção e exportação de ópio.









