
Os que se mantêm firmemente pró-vida correm o risco de serem considerados responsáveis pelo fracasso da luta pelo regresso de Trump à Casa Branca. Foto © Bill Clark/CQ Roll Call
As derrotas que os republicanos e apoiantes de Trump têm tido em alguns estados que adotaram medidas radicais antiaborto, por um lado, e as declarações fracas, se não mesmo ambíguas, quer de Trump quer de Vance, o candidato à vice-presidência, originaram significativas divisões entre as várias organizações que dão corpo ao movimento pró-vida nos Estados Unidos da América.
À medida que se aproxima o 5 de novembro, a data das eleições no país, vão emergindo críticas e acusações que contrastam vivamente com a euforia de há dois anos, quando o Supremo Tribunal de Justiça, com ampla maioria de juízes conservadores, anulou uma sentença de 1973, tornando nulo e sem efeito o direito ao aborto. Doravante, a cada Estado é que caberia definir uma posição.
Com a candidatura de Donald Trump, as coisas complicaram-se, porque os que se mantêm firmemente pró-vida correm o risco de serem considerados responsáveis pelo fracasso da luta pelo regresso de Trump à Casa Branca.
Em decisões e consultas feitas em diferentes estados, tem vindo ao de cima que a maioria dos eleitores pode não sufragar quem se opõe ao direito ao aborto por parte das mulheres. Por ouro lado, Kamala Harris inscreveu este assunto no topo da sua agenda política, não se cansando de colocar aí um dos pontos fortes que a separa do seu adversário. Daí que Trump tenha sido ambivalente quando interrogado sobre se vetaria uma decisão do Congresso de proibir o aborto a nível federal. Além disso, manifestou-se crítico do “rigorismo” seguido nesta matéria por alguns estados republicanos, incluindo aquele em que está registado para votar, e admitiu um alargamento do período em que, em algumas condições, seria admissível abortar.
Estes aspetos levaram a que algumas organizações antiaborto se associem, por razões de conveniência política, a esta nova retórica eleitoral, enquanto que outras recusem cálculos políticos e fiquem perturbadas e desorientadas com as cedências, ou tenham mesmo decidido afastar-se de Trump por considerarem estar em causa valores inquestionáveis.
Uma reportagem sobre a matéria do Religion News Service, que ouviu diferentes correntes e sensibilidades, concluiu que vários dirigentes pró-vida estão a aconselhar, apesar de tudo, o voto em Trump, com o argumento de que, a nível federal, ele faria sempre melhor do que Kamala Harris no que se refere à defesa da vida.









