Cardeal Barbarin com destino suspenso até ao fim de Janeiro
O Ministério Público tem dito que Philippe Barbarin não deve ser condenado e reafirmou-o no tribunal de Lyon nas sessões de julgamento do recurso que tiveram lugar a 28 e 29 de Novembro. Reconhecendo que o abuso sexual na Igreja Católica é uma “falha moral”, o procurador-geral Joël Sollier considera que a falha jurídica do cardeal Philippe Barbarin não existe porque as supostas vítimas de Bernard Preynat poderiam, elas próprias, ter apresentado queixa contra o padre – que a Igreja Católica depois sancionou retirando-lhe o ministério – e, sobretudo, porque o arcebispo de Lyon não pretendeu impedir o curso da justiça.
Antes da decisão do Tribunal de Recurso, ocorrerá o julgamento de Bernard Preynat, estando previstas audiências de 13 a 17 de Janeiro. O tribunal apenas poderá apreciar uma reduzida parte dos crimes praticados por Preynat porque a generalidade já se encontra prescrita. Das muitas dezenas de vítimas, apenas sete podem, portanto, esperar uma reparação judicial.
“O que dirá o réu sobre a atitude da sua hierarquia? Chegará ao ponto de a acusar de não o ter protegido das suas perigosas inclinações pedófilas? O que dirá da atitude que o cardeal Barbarin teve em relação a ele?” As três questões sobre Bernard Preynat foram formuladas pelo diário Libération de 29 de Novembro, para retirar uma conclusão: “As respostas provavelmente causarão um pouco mais de dano à reputação da Igreja Católica e à do primaz das Gálias”.
Seja como for, afirma o jornal, e a hipótese é a mais plausível, “em 2020, qualquer que seja a decisão judicial, Barbarin vai possivelmente deixar o cargo, com a marca indelével de um destino fracassado”. Por enquanto, a diocese de Lyon é gerida por um administrador apostólico, Michel Dubost, arcebispo emérito de Évry.
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