Sentença do cardeal Barbarin será conhecida em Março

| 15 Jan 19

O dia 7 de Março é a data anunciada pelo Tribunal de Lyon para a divulgação da sentença do julgamento do cardeal francês Philippe Barbarin, acusado de não ter denunciado os abusos sexuais do padre Bernard Preynat que, há mais de duas décadas, assediou sete dezenas de escuteiros, noticiou o Le Monde.

“Sim, enganámo-nos. Sim, deveríamos ter feito mais perguntas. Mas isso é um crime?” Para o advogado do cardeal Philippe Barbarin, Jean-Félix Luciani, que o diário Le Monde cita, a estratégia de defesa no julgamento, que se realizou durante a semana passada, foi clara: assumem-se os erros, mas nega-se que sejam um delito susceptível de qualquer condenação judicial.

A defesa impôs ainda que se formulassem duas interrogações: “Onde está o princípio da igualdade? Por que é que somente os homens da Igreja devem ser objecto de ferozes denúncias e não os outros?” A procuradora Charlotte Trabut, igualmente citada pelo jornal francês, tem idênticas dúvidas. Advertiu, por isso, quanto ao risco de tornar o delito de “não-denúncia” um crime “apanha tudo”, a que poderão não escapar todos aqueles – pais, próximos, testemunhas – que pudessem ter recebido aos longo dos anos confidências sobre abusos sexuais.

Se os acusadores alegam que a infração de “não-denúncia” não prescreve, a procuradora Charlotte Trabut considera que alguns dos factos imputados se encontravam prescritos e que os que o não estavam não configuravam crime. Por essa razão, não pediu a condenação do cardeal e de alguns dos seus colaboradores na altura das denúncias.

O advogado do cardeal Philippe Barbarin, escreve a jornalista Pascale Robert-Diard, enviada especial do Le Monde, não isentou os acusadores das suas próprias responsabilidades, afirmando que, “quando se vem bater à porta de um bispo, não se bate à porta de um magistrado! Vem-se procurar um momento de escuta, um tratamento cristão”.

O Tribunal de Lyon decidirá se, para a lei, o cardeal e arcebispo de Lyon deveria ou não ter sido um procurador para as vítimas.

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Inimigos e rivais de longa data unem-se contra um adversário maior

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Ofertas de material hospitalar ou de protecção, troca de pessoal médico, um judeu e um muçulmano que param ao mesmo tempo para rezar juntos e uma música gravada para apoiar uma organização de voluntários judeus, muçulmanos e cristãos. A pandemia serve também para que rivais, inimigos ou “diferentes” colaborem uns com os outros e esqueçam divergências.

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Cultura e artes

“Travessia com Primavera”, um exercício criativo diário novidade

O desafio partiu da Casa Velha, associação de Ourém que liga ecologia e espiritualidade: um exercício artístico e criativo diário, a partir da Bíblia. Sandra Bartolomeu, irmã das Servas de Nossa Senhora de Fátima, apaixonada pela pintura, aceitou: “Algo do género, entre a oração e o desenho – rezar desenhando, desenhar rezando ou fazer do desenho fruto maduro da oração – já emergia em mim como um apelo de Deus, convite a fazer do exercício do desenho e da criação plástica meio para contemplar Deus e dar concretude à sua Palavra em mim”, diz a irmã Sandra. O 7MARGENS publica dez aguarelas resultantes desse exercício.

A poesia é a verdade justa

“A coisa mais antiga de que me lembro é dum quarto em frente do mar dentro do qual estava, poisada em cima duma mesa, uma maçã enorme e vermelha”, escreve Sophia de Mello Breyner na sua Arte Poética III. Foi destas palavras que me lembrei ao ver o filme Poesia do sul coreano Lee Chang-dong, de 2010

Rádios católicas assumem papel “absolutamente essencial” em África

Não têm televisão, nem acesso a jornais ou revistas, e muito menos Internet, até porque muitas vezes também não têm luz: há uma parte substancial da população africana para quem o único meio de comunicação social disponível é a rádio. É através das estações de rádio, na sua maioria apoiadas por instituições católicas, que mensagens de prevenção, aulas, missas, catequeses ou peças de teatro chegam a inúmeras comunidades rurais. E se o papel das rádios locais em África já era determinante antes da pandemia de covid-19, agora tornou-se “absolutamente essencial”.

Papa Francisco: as “histórias boas” dão-nos “força para prosseguirmos juntos”

“Para não nos perdermos, penso que precisamos de respirar a verdade das histórias boas: histórias que edifiquem, e não as que destruam; histórias que ajudem a reencontrar as raízes e a força para prosseguirmos juntos”. Começa assim a mensagem do Papa para o  Dia Mundial das Comunicações Sociais, que a Igreja Católica assinala a 24 de maio, mas que Francisco publicou a 24 de janeiro, dia da memória de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas, e em que parecia já adivinhar a importância que as “histórias boas” teriam nos meses seguintes.

Pessoas

Sete Partidas

Retrospectiva

Regresso algures a meados de 2019, vivíamos em Copenhaga, e recupero a sensação de missão cumprida, de alguma forma o fechar de um ciclo ao completarmos 10 anos de vida na Dinamarca e nos encontrarmos em modo de balanço das nossas vidas pessoais, profissionais e também da nossa vida interior. Recordo uma conversa com uma querida amiga, onde expressei desta forma o meu sentimento: “a nossa vida aqui é boa, confortável, organizada, segura, previsível, mas não me sinto feliz.”

Visto e Ouvido

Agenda

Entre margens

A Senhora mais brilhante do que o Sol novidade

Quem é afinal Maria de Nazaré, a escolhida por Deus para encarnar a nossa humanidade? Os Evangelhos referem-na poucas vezes. Esse silêncio dá mais espaço à nossa criatividade e até a um certo empossamento da Mãe de Jesus. Em torno da sua figura construímos aquilo a que poderíamos chamar “questões fraturantes” entre cristãos. Mais importante que dogmas e divergências é atendermos à figura de Maria. Quem é que ela é, ou pode ser, para nós?

Evangélicos e Chega: separar as águas novidade

Em todo o debate público levantou-se novamente a questão da identidade evangélica, cuja percepção é complexa até para os próprios evangélicos e sobretudo para a maioria dos portugueses, cuja cultura religiosa é essencialmente católica-romana. Grande parte da percepção pública dos evangélicos deriva dos soundbites brasileiros e norte-americanos, onde há de facto lobbies evangélicos e ultra-conservadores, como a “Bancada Evangélica” ou o “Tea Party”. A isso, acrescenta-se a difusão dos canais de televisão e rádio neopentecostais, o que colabora para a criação de estereótipos sobre os evangélicos no seu todo.

“Fake religion”

Para que uma falsificação faça sentido e seja bem-sucedida tem que juntar pelo menos duas condições. Antes de mais, o artigo a falsificar tem de estar presente no mercado e em segundo lugar tem que representar valor comercial. Ora, o mercado religioso existe e está bem de saúde, para desespero dos neo-ateístas. E de cada vez que surge uma catástrofe, uma guerra ou uma pandemia mortal a tendência geral dos indivíduos é para recorrerem ao discurso religioso, procurando encontrar aí um sentido para o drama que estão a viver, porque o ser humano necessita de encontrar um sentido no que vê e sente acontecer à sua volta.

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