“Há vidas em jogo”

Cardeal brasileiro em Fátima critica “irresponsabilidade” de Bolsonaro na gestão da pandemia

| 13 Out 21

O Cardeal Sérgio da Rocha, arcebispo de São Salvador da Bahia, no Santuário de Fátima. Foto ©Santuário de Fátima

 

O cardeal Sérgio da Rocha, arcebispo de São Salvador da Bahia, considera que no actual momento da pandemia no Brasil a política do Governo do Presidente Bolsonaro deveria entender que há “vidas em jogo, não simplesmente uma discussão teórica, mas gente que vive ou morre pela nossa responsabilidade ou irresponsabilidade”.

Em Fátima, onde preside à peregrinação deste 12-13 de Outubro, o cardeal Rocha foi questionado pelo 7MARGENS sobre o facto de o Brasil ter ultrapassado as 600 mil mortes em consequência da covid-19 e as responsabilidades do Governo Bolsonaro na matéria. A vacinação contra a covid-19 no Brasil “trouxe esperança” a grande parte da população, disse. “Mas ainda há muito a fazer, precisamos de continuar sempre vigilantes cada um fazendo a sua parte sabendo que o que cada um de nós faz ou deixa de fazer [se] repercute na vida e na saúde do outro.”

O Brasil ultrapassou na sexta-feira, dia 8, as 600 mil vítimas mortais da pandemia, tornando-se o segundo país do mundo a passar esse número, depois dos Estados Unidos da América. Muitos especialistas atribuem parte dessas mortes à política do Governo liderado por Jair Bolsonaro, que não tem incentivado a vacinação.

Para o cardeal da Bahia, há “passos importantes que têm sido dados, mas há muito ainda para fazer”. O desafio maior é o “negacionismo prático” que tem existido, “como se negasse a realidade e a existência da própria pandemia ou, no caso da vacina, o valor da vacinação”.

E a forma de “agir negando, mais pelas iniciativas, pelo modo de se comportar, é tão grave ou ainda mais do que aqueles que expressam essa negação teoricamente”, declarou. “Se a conduta não for de responsabilidade diante da vida e da saúde no modo de agir, de alguma maneira isso acaba por prejudicar as pessoas. Nós tivemos essa dura lição, já sabíamos que o vírus não conhece fronteiras.”

“Espera-se a responsabilidade perante a vida e a saúde”, acrescentou Sérgio da Rocha, dizendo que defende o “incentivo à vacinação” e que as pessoas investidas de autoridade devem fazer um “redobrado esforço pela influência que exercem sobre as pessoas”.

Na vigília da noite de terça-feira, 12, milhares de peregrinos voltaram a encher de luz o santuário, depois de dois anos de muitas limitações. No final da procissão das velas, o cardeal recordou “os clamores de tantos irmãos e irmãs que sofrem as consequências da pandemia, especialmente, os enfermos, os pobres e as famílias enlutadas”. E acrescentou que os cristãos devem “dar uma atenção especial a quem não consegue caminhar porque se encontra fragilizado, sofredor”, aos que “mais sofrem”.

 

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A homenagem aos que perderam as suas vidas nesta pandemia é uma forma de reconhecermos que não foram só os seus dias que foram precoce e abruptamente reduzidos, mas também que todos nós, os sobreviventes, perdemos neles um património imenso e insubstituível. Só não o perderemos totalmente se procurarmos valorizá-lo, de formas mais ou menos simbólicas como é o caso da Jornada da Memória e da Esperança deste fim-de-semana, mas também na reflexão sobre as nossas próprias vidas e as das gerações que nos sucederão.

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A Assembleia da República (AR) manifestou o seu apreço pela Jornada de Memória e Esperança, que decorre neste fim-de-semana em todo o país, através de um voto de solidariedade com as vítimas de covid-19 e com as pessoas afectadas pela pandemia, bem como com todos os que ajudaram no seu combate, com destaque para os profissionais de saúde.

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